Enquanto as montadoras americanas concentram a produção em veículos caros e mais lucrativos, um número crescente de consumidores dos Estados Unidos diz querer acesso a carros chineses de bom custo-benefício, hoje praticamente banidos do mercado americano por tarifas e outras restrições.
“Sou mecânico automotivo”, contou Juan Vega, morador de Los Angeles, à agência Xinhua. Segundo ele, os carros chineses oferecem uma relação custo-benefício muito melhor que os modelos americanos, e ele não entende por que não deveria ter a opção de comprar um, já que os EUA dizem defender a livre concorrência de mercado.
Carros fabricados na China por marcas como BYD e Geely podem custar entre US$ 10 mil e US$ 20 mil, mas ficam de fora do mercado americano de carros de passeio por causa de tarifas e outras restrições. Enquanto isso, o preço médio de um carro novo nos EUA subiu para a faixa de US$ 49 mil a US$ 50 mil nos últimos anos, com parcelas que seguem pesadas por causa de juros altos, seguros caros e manutenção mais cara.
Uma exceção parcial é a Waymo, operadora de robotáxis que, apesar das tarifas, já importou mais de 3,2 mil minivans elétricas Zeekr fabricadas na China desde 2024 para uso comercial nos EUA. Mas para o consumidor comum, o mercado de carros novos deixou de ser um espaço de livre concorrência para se parecer, segundo críticos, com um condomínio fechado.
A mudança de estratégia das montadoras de Detroit também pesa: a Ford praticamente abandonou os sedãs tradicionais no mercado americano, enquanto GM e Stellantis apostaram em picapes, SUVs grandes e modelos premium, todos com margens maiores, mas menos opções acessíveis para o consumidor.
Para Sam Fiorani, vice-presidente da consultoria AutoForecast Solutions, as montadoras chinesas conseguiram produzir carros pequenos e médios a preços competitivos. O entusiasta Ken Wheeler, que testou um modelo chinês num evento da CES, disse ter ficado impressiona do com a direção, o conforto e a tecnologia. “E o preço me convenceu”, resumiu ele.
Uma pesquisa da consultoria Edmunds mostrou que 73% dos consumidores americanos já adiaram a compra de um carro por causa dos preços altos. “Os preços dos carros nos EUA estão acabando com a gente”, disse R. Clark, funcionário de restaurante na Califórnia, que precisou adiar a troca do carro de novo neste ano, mesmo com o veículo atual passando metade do tempo na oficina.







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