O Banco Popular da China (BPC) anunciou na terça-feira (3) que vai elevar em 2 pontos percentuais a taxa de reserva obrigatória sobre depósitos em moeda estrangeira, de 4% para 6%. A mudança vale a partir de 15 de novembro e é o primeiro aumento em quase cinco anos.
O instrumento define quanto dos depósitos em moeda estrangeira os bancos precisam deixar parado no banco central. Ao subir a taxa, o BPC reduz a oferta de dólares no mercado e alivia a pressão de valorização sobre o yuan. Um corte tem o efeito contrário.
A medida chega depois de um ano de forte alta da moeda chinesa. O yuan acumulou valorização de 4,2% frente ao dólar nos nove primeiros meses de 2026, e o ritmo acelerou em outubro: a cotação onshore subiu por 14 pregões seguidos a partir do dia 14.
Para Wen Bin, economista-chefe do Banco Minsheng, o ajuste ajuda a equilibrar oferta e demanda no câmbio e a interromper um ciclo em que a expectativa de alta alimenta novas altas. Ming Ming, da CITIC Securities, estima que a medida vai congelar entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões em liquidez de divisas nos bancos.
O efeito foi imediato. Até as 16h30 de terça, o yuan à vista fechava a 6,67 por dólar no mercado onshore, 307 pontos-base mais fraco que no pregão anterior, segundo o Sistema de Comércio de Divisas da China.
O BPC não fixa meta para o câmbio, mas afirmou em outubro que vai agir com instrumentos de mercado quando houver oscilações bruscas de curto prazo e comportamento de manada.
A taxa já foi ajustada várias vezes. Em 2021, subiu duas vezes, até 9%. Entre 2022 e 2023, foi cortada três vezes, até os 4% atuais.







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