China anuncia 16 medidas para facilitar negócios estrangeiros em Hainan

Pacote libera médicos licenciados no exterior para atender na ilha por até três anos e abre terminais de gás a companhias internacionais
Por Redação
Uma foto aérea de drone tirada em 28 de fevereiro de 2024 mostra iates deslizando nas ondas em Sanya, na província de Hainan, sul da China. (Xinhua/Zhang Liyun)

A China divulgou nesta quinta-feira (29) um pacote de 16 medidas para facilitar a atuação de empresas e profissionais estrangeiros no Porto de Livre Comércio de Hainan, na província insular mais ao sul do país. As regras abrangem comércio de energia, serviços médicos e operações em regime aduaneiro especial.

Segundo o governo chinês, Hainan é o maior porto de livre comércio do mundo em área. Pelas novas regras, médicos habilitados a exercer a profissão em outros países poderão obter autorização para fazer diagnósticos e tratamentos na ilha por até três anos, com possibilidade de renovação. Estrangeiros também terão regras mais simples para permissões de trabalho, estadia e residência.

Empresas estrangeiras poderão usar os terminais de gás natural liquefeito (GNL) da ilha em regime de entreposto aduaneiro, no qual a carga fica armazenada com impostos suspensos. Hainan também deverá abrigar armazéns de entrega de contratos futuros de GNL, quando esses contratos forem lançados na China.

O pacote prevê ainda incentivo ao comércio offshore, em que empresas sediadas na ilha intermediam operações sem que a mercadoria passe por lá, e uma lista maior de produtos que podem ser consertados em Hainan sob o regime de entreposto. Também estimula o uso do yuan em novas formas de escambo e amplia a cooperação com Hong Kong.

Produtos remanufaturados, ou seja, peças e equipamentos usados recuperados industrialmente, poderão entrar nas zonas-piloto de livre comércio da China continental. Pagarão tarifas e impostos de importação, terão de cumprir os mesmos requisitos técnicos dos produtos novos equivalentes e deverão vir identificados no rótulo.

A ilha passou a operar em dezembro de 2025 com regime alfandegário especial em todo o território, com entrada facilitada de mercadorias estrangeiras e ampliação da tarifa zero. Em relatório de janeiro, a adidância agrícola do Brasil em Pequim avaliou que o modelo pode servir de alternativa logística para o agro brasileiro, sobretudo em cadeias que façam algum processamento na ilha, sem dispensar as exigências sanitárias chinesas.

As medidas chegam em meio à alta do comércio exterior de Hainan. De janeiro a setembro, importações e exportações de bens somaram 285 bilhões de yuans (cerca de US$ 42,5 bilhões), alta de 50% em relação ao mesmo período de 2025. O comércio de serviços cresceu 12%, para 57 bilhões de yuans.

Publicado em: 29/10/2026

Mais Relevantes

China leva carros autônomos dos testes para as ruas

China leva carros autônomos dos testes para as ruas

A indústria chinesa de veículos inteligentes e conectados está saindo da fase de validação tecnológica para a disputa comercial em escala. Custo por veículo, viabilidade do negócio e conformidade no uso de dados passaram a definir a competição. Um exemplo é a frota do...

PIB da China cresce 4,5% no terceiro trimestre e ganha ritmo

PIB da China cresce 4,5% no terceiro trimestre e ganha ritmo

O produto interno bruto (PIB) da China cresceu 4,5% no terceiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, acima dos 4,3% registrados no segundo trimestre, segundo dados do Departamento Nacional de Estatísticas divulgados nesta segunda-feira (19)....

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *