Música, arte e natureza: Festival Brasil promove imersão na cultura e biodiversidade brasileira em Beijing

Artistas, fotógrafos, artesãos e pesquisadores se encontram em cinco dias de programação que percorre diferentes regiões, linguagens e modos de viver do Brasil
Por Redação
  1. Home
  2. /
  3. Cultura
  4. /
  5. Música, arte e natureza:...

O samba circula pela China há pelo menos três décadas. Nesse tempo, músicos brasileiros construíram trajetórias, o choro encontrou novos intérpretes e públicos e a música popular brasileira ganhou espaço na cena cultural local. Essa história ganha um novo capítulo com o Festival Brasil, que ocorre de 2 a 6 de setembro no 798 Art Zone, polo de arte contemporânea de Beijing que recebe mais de dez milhões de visitantes por ano.

Em um palco ao ar livre, no Creative Square, onze atrações se revezam ao longo dos cinco dias, com repertórios que passam pelo samba, choro, MPB e música gaúcha, além de sets de DJs e rodas de capoeira. Fora do palco, fotografia, bordados, xilogravuras e experiências imersivas compõem a Exposição Brasil – Rios Voadores, um percurso pelos seis biomas que aproxima o público da natureza, das culturas e dos modos de vida de diferentes regiões do país.

A programação se estende ao auditório do 798 CUBE, com o seminário “Territórios Vivos: Cultura, Tecnologias Sociais e Inovação para a Defesa da Biodiversidade no Brasil e na China” e um workshop para operadores de turismo chineses sobre Foz do Iguaçu, o Complexo Turístico Itaipu e a plataforma Brasil Travel Specialist (BTS).

O Festival integra o Ano Cultural Brasil-China 2026 e é realizado pelo Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur – Visit Brasil) e da Itaipu Binacional. Shows, exposição, debates e ações com profissionais do turismo colocam no mesmo programa diferentes frentes do intercâmbio entre os dois países.

“O Ano Cultural Brasil-China é uma iniciativa do Governo do Brasil para aproximar nossos países e também ampliar as oportunidades para a economia criativa e o turismo brasileiro. Ao apresentar o Brasil pela cultura e pelos nossos destinos, mostramos a diversidade, a criatividade e a riqueza dos nossos territórios e despertamos o interesse de novos públicos e mercados. Essa aproximação pode se transformar em circulação de artistas e produtos culturais, em novos roteiros turísticos, parcerias e negócios. É uma forma de mostrar que investir em cultura também é investir em desenvolvimento econômico e em novas oportunidades para o Brasil,” ressalta a ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes.

UM PALCO ENTRE BRASIL E CHINA

Samba e choro ganham destaque no palco do festival. Na China desde 1998, a Golden Brazilians soma mais de 5 mil apresentações no país e leva ao evento uma trajetória construída diante do público local. Marina Iris parte do samba para trabalhar memória, ancestralidade e identidade, enquanto a Banda Choro BJ encontra na tradição de nomes como Pixinguinha, Ernesto Nazareth e Jacob do Bandolim matéria para arranjos contemporâneos.

Jazz, bossa nova e pop abrem outras possibilidades com Ricardo Vogt, Diego Ramos e a Banda Groove It, liderada pela cantora brasileira Luciana Agel. Marianita Ortaça leva a Beijing o acordeom e o repertório missioneiro do Rio Grande do Sul, base de um trabalho dedicado à cultura gaúcha. A música eletrônica fica por conta de DJ MAM e DJ 798.

Rodas de capoeira também subirão ao palco com Capoeira Maloca Beijing e Grupo Axé Capoeira & Mestre Eddy. Nascida da resistência e da criatividade da população negra no Brasil, a manifestação combina jogo, dança, música e movimento.

“A biodiversidade é parte central da identidade turística do Brasil. Quando apresentamos nossos seis biomas, mostramos não apenas paisagens, mas experiências, culturas e comunidades que dão vida a diferentes regiões do país. É esse Brasil diverso que queremos tornar cada vez mais conhecido no mercado chinês”, afirma Bruno Reis, presidente da Embratur.

SEIS BIOMAS, DIFERENTES FORMAS DE CONHECER O BRASIL

A Exposição Brasil – Rios Voadores terá um espaço exclusivo no Creative Square. O ponto de partida é o fenômeno que dá nome à mostra: correntes de umidade formadas sobre a Floresta Amazônica e transportadas pelos ventos através do continente, conectando regiões muito diferentes do país.

A visita começa em uma sala principal organizada como galeria de arte. Em 42 fotografias, seis autores apresentam seus olhares sobre cada bioma: João Marcos Rosa, na Amazônia; José Medeiros, no Pantanal; André Dib, no Cerrado; André Pessoa, na Caatinga; Zig Koch, na Mata Atlântica; e Tadeu Vilani, no Pampa. As imagens aproximam o público de paisagens, animais, pessoas e modos de vida associados a esses ambientes.

Na sala seguinte, o som ganha destaque. Água corrente, folhas movidas pelo vento e o canto das aves em diferentes momentos do dia compõem a ambientação, ao lado de vídeos e registros captados por câmeras-trap.

A escala muda na Casa Biomas, idealizada pelo designer Renato Imbroisi, em uma instalação em tamanho real que reúne peças bordadas em diferentes técnicas por mais de 60 artesãs brasileiras. As criações fazem referências à fauna e à flora, traduzindo em trabalho manual relações com a natureza e conhecimentos transmitidos entre gerações.

A Caatinga aparece sob outro olhar na obra de J. Borges. As 40 xilogravuras da série Caatinga Flora transformam espécies e formas do bioma em imagens ligadas à tradição do cordel e à cultura popular nordestina, incorporando à exposição a linguagem de um artista profundamente associado à cultura de sua região.

A experiência termina com óculos de realidade virtual que levam o público ao Rio de Janeiro, aos Lençóis Maranhenses, a Fernando de Noronha, ao Pantanal e à Amazônia. Um totem em mandarim conectado ao Visit Brasil reúne informações para quem quiser continuar conhecendo destinos e experiências depois da visita.

CULTURA, TERRITÓRIO E BIODIVERSIDADE EM DEBATE

Antes do início do Festival, Brasil e China levam a conversa sobre território e biodiversidade para o seminário “Territórios Vivos: Cultura, Tecnologias Sociais e Inovação para a Defesa da Biodiversidade no Brasil e na China”. O encontro acontece em 1º de setembro, no auditório do 798 CUBE, e reúne pesquisadores, gestores, artistas e especialistas.

A programação se organiza em três painéis sobre mudanças climáticas, proteção da biodiversidade e conhecimentos construídos pelas comunidades. Arquitetura ecológica, tecnologias sociais, inovação, práticas culturais e saberes locais estão entre os temas das discussões.

Participam pesquisadores ligados à Universidade de Beijing, à Universidade de Tongji, à Universidade de Brasília e à Academia Central de Belas Artes, além de representantes da Itaipu Binacional, do Ministério da Cultura e do Instituto A Cidade Precisa de Você.

TURISMO EM PAUTA

A agenda do Brasil na China conta ainda com um workshop para cerca de 50 operadores chineses. Representantes da Itaipu Binacional, do Visit Iguassu e do Visit Brasil apresentam Foz do Iguaçu, o Complexo Turístico Itaipu e a plataforma Brasil Travel Specialist, além de ferramentas para apoiar a criação de roteiros voltados ao mercado chinês. A proposta é aproximar quem comercializa viagens das experiências brasileiras que também aparecem ao longo do Festival.

“A ação conjunta consolida uma parceria para promover o Brasil e fortalecer as relações bilaterais com a China. Isso amplia a divulgação do destino no mercado internacional e fortalece o turismo na região”, ressalta o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri.

SERVIÇO

Festival Brasil

Data: 2 a 6 de setembro

Apresentações artísticas e culturais: a partir das 17h

Local: Creative Square, 798 Art Zone, Beijing, China

 

Exposição Brasil – Rios Voadores

Data: 2 a 6 de setembro

Horário: 13h às 21h

Local: Creative Square, 798 Art Zone, Beijing, China

Publicado em: 04/09/2026

Mais Relevantes

Robótica levam tradição chinesa à Bienal de Veneza

Robótica levam tradição chinesa à Bienal de Veneza

Dezenas de visitantes fizeram fila no pavilhão da China na Bienal de Veneza para ver algo pouco comum: um braço robótico conduzindo lentamente um pincel de caligrafia tradicional chinesa sobre uma folha de papel, traço a traço, até formar os caracteres de "Sonho" e...

Cientistas descobrem vinho de 2 mil anos em vaso chinês

Cientistas descobrem vinho de 2 mil anos em vaso chinês

Arqueólogos e cientistas chineses confirmaram que um líquido preservado dentro de um vaso de bronze com mais de 2 mil anos é um vinho de cereais feito de painço e cevada, da época dos Estados Combatentes (475 a.C.-221 a.C.). A descoberta foi possível graças a...

Tendência “China-chic” ganha o mundo e já chegou ao Brasil

Tendência “China-chic” ganha o mundo e já chegou ao Brasil

Uma criadora de conteúdo publicou recentemente um vídeo no YouTube mostrando os souvenirs que trouxe de uma viagem à China: um grampo de cabelo, um chaveiro de panda, ímãs de geladeira e um álbum de fotos em que aparece vestida de hanfu, o traje tradicional chinês. A...

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *