O presidente chinês, Xi Jinping, apresentou nesta quarta-feira (2), no Cairo, uma proposta de quatro pontos para a construção de uma nova arquitetura de segurança no Oriente Médio, durante conversas com o presidente egípcio, Abdel Fattah El-Sisi. É a primeira visita de Xi ao Egito em dez anos e ocorre no ano em que os dois países completam sete décadas de relações diplomáticas.
O núcleo da proposta chinesa é que os povos da região sejam donos dos próprios assuntos e que a interferência externa seja rejeitada. Xi defendeu que a China apoia os países do Oriente Médio no fortalecimento do diálogo sobre paz e segurança e na construção de um arranjo regional próprio.
Xi também sustentou que a questão palestina segue no centro do problema do Oriente Médio e não pode ser ignorada nem marginalizada. Segundo ele, os múltiplos focos de tensão na região estão interligados e exigem soluções abrangentes, não respostas isoladas.
O terceiro ponto liga segurança a desenvolvimento: para o presidente chinês, a estabilidade duradoura na região depende de crescimento econômico. Ele afirmou que a China está disposta a trabalhar com os países da região para proteger a segurança das rotas marítimas internacionais e ampliar a cooperação em desenvolvimento, de modo a eliminar as causas de fundo dos conflitos.
Por fim, Xi pediu que a Carta da ONU e o direito internacional sejam os princípios que orientam os assuntos do Oriente Médio, e cobrou que a comunidade internacional, em especial as potências externas, abandone os dois pesos e duas medidas na região.
Sisi respondeu que o Egito valoriza a posição chinesa sobre o Oriente Médio, que classificou como consistente e imparcial, e afirmou o compromisso egípcio com a redução das tensões e a solução política das divergências.
Acordos e a agenda bilateral
Os dois chefes de Estado testemunharam a assinatura de mais de 20 documentos de cooperação, cobrindo Iniciativa Cinturão e Rota, inteligência artificial, comércio, cadeias industriais e de suprimentos, economia digital, ciência e tecnologia, educação e transportes. As partes também divulgaram uma declaração conjunta sobre o aprofundamento da parceria estratégica abrangente.
Xi lembrou que o Egito foi o primeiro país árabe e africano a estabelecer relações diplomáticas com a República Popular da China, em 1956, e defendeu que os dois lados ampliem a cooperação em energia verde, veículos elétricos, aeroespacial, economia digital e tecnologia agrícola moderna, além dos setores tradicionais de infraestrutura, energia elétrica, agricultura e telecomunicações.
Na frente multilateral, Xi propôs mais coordenação em plataformas como a ONU e o BRICS, grupo do qual Brasil, China e Egito são membros plenos, com o Egito integrado em 2024 e a presidência de turno hoje com a Índia. Sisi afirmou que o Egito adere firmemente ao princípio de uma só China e quer aprofundar a cooperação em comércio, investimento, manufatura, infraestrutura, finanças e novas energias.







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