O mundo e a nova era da China

A importância do 19o Congresso Nacional do Partido Comunista da China

importância do 19o Congresso Nacional do Partido Comunista da China (PCCh) transcende os limites do país e chega ao cenário global. O desenvolvimento da China impacta o mundo tanto pelo porte da nação quanto pelo seu sucesso. Emblemática do desenvolvimento da China, além do fato de se tornar uma sociedade moderadamente próspera a caminho do total rejuvenescimento, é a noção proposta pelo país de “construir uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade”.

Esse conceito incorpora a valiosa meta de envolver o interesse das nações do mundo que endossam a definição implícita proposta pela China de um futuro compartilhado – fortalecer a sociedade por meio de estabilidade econômica, melhorar a vida de nossos filhos, assegurar a mulheres e a minorias étnicas maior acesso a posições de liderança, dar passos para corrigir os danos ao ambiente, e muitos outros aspectos.

Liderar esse esforço de construir uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade irá exigir força, persistência e coragem. Essas são características da liderança da China nos últimos cinco anos. Sob o comando de recém-reeleito secretário geral do PCCh, presidente Xi Jinping, a China ingressa numa nova era, em que irá se concentrar em consolidar sua força. E não só a sua força militar, mas a força de seu povo e de sua sociedade. Tais esforços irão possibilitar o revigoramento da cultura chinesa, e com isso fortalecer a identidade da China e de seu povo. Assim como o povo judeu, os chineses vêm sobrevivendo há mais de 4 mil anos de história, principalmente graças à sua forte identidade cultural. Isso se reflete até na formação da República Popular da China, onde marxismo e comunismo receberam a infusão de características chinesas. A partir desse sentido firme de história e tradição cultural, evoluiu um sentido de propósito, como o que se expressa na construção de pontes multilaterais entre várias nações por meio da Iniciativa Cinturão e Rota, alicerce para a criação de uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade. A Iniciativa chinesa vai além de construir estradas, pontes, trens, túneis e portos que atravessem fronteiras e que são essenciais para facilitar o comércio: ela destaca a  importância de comunicações pessoa-pessoa, de aprender sobre a cultura do outro e de desenvolver uma compreensão mútua.

Enquanto a abordagem ocidental da economia é focada em prazos, negócios, contratos, a abordagem chinesa é mais holística, buscando uma visão do quadro geral. Isso tem o potencial de incentivar o comércio e também a compreensão e aceitação cultural. Alcançar essa compreensão mútua entre os povos não será algo isento de desafios. A própria China enfrenta dificuldades que limitam sua capacidade de realmente entender culturas que são imensamente diferentes da sua – como as das sociedades profundamente religiosas do mundo muçulmano e as crenças e tradições arraigadamente individualistas do Ocidente. Esses vastos abismos culturais irão representar obstáculos formidáveis nesse avanço da China para assumir a liderança na construção de um futuro compartilhado para a humanidade.

A iniciativa é moldada para reduzir esses obstáculos e ao mesmo tempo motivar povos de diferentes históricos a trabalharem juntos para benefícios mútuos. Na realidade, com o lançamento do programa, o presidente Xi deu um grande passo para a introdução desse antigo conceito judaico – o Tikkun Olam. Trata-se da visão bíblica de “reparar o mundo”. Por meio da Iniciativa Cinturão e Rota, o presidente Xi consegue dar passos expressivos que contribuem para melhorar a vida de muitas nações do mundo.

Ao mesmo tempo, o sucesso da Iniciativa e da construção de um futuro compartilhado requer um verdadeiro ganha-ganha para todas as nações e povos do mundo. Como líder desse processo, a China terá a incumbência de trabalhar para o sucesso não só dos chineses, mas de todos os países que integram o projeto e de outros mais. Isso pode exigir da China uma abertura ainda maior dos seus mercados ao investimento estrangeiro direto, e que ela facilite o crescimento de negócios não chineses no país e no exterior. Construir um futuro compartilhado pode também levar a China a assumir o papel tradicional ocidental de envolver suas forças armadas ativamente no apoio à paz e à estabilidade, em regiões distantes.

Com a recente reorganização militar levada a efeito pelo presidente Xi, e a promessa de forças armadas chinesas mais fortes, administradas por uma liderança inteligente e sensata, é concebível que a China se torne um grande fator estabilizador dentro da comunidade internacional. Como uma força defensora da paz e da harmonia, a China seria um importante ator para a construção de um futuro compartilhado para a humanidade. Graças ao grande sucesso do povo chinês e a décadas de cuidadosa liderança, a China alcançou um progresso milagroso. As bem-sucedidas realizações presentes e aquelas que ainda estão por vir ficarão entretecidas de modo inextricável com o futuro do mundo.


Por Carice Witte

CARICE WITTE é fundadora e diretora-executiva da Sino-Israel Global Network & Academic Leadership (Rede Global e Liderança Acadêmica Sino-Israelense).

 

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