Onda de calor na Europa dispara vendas de ares-condicionados chineses

Empresas lançaram modelos portáteis e silenciosos que dobraram as exportações e superaram barreiras locais
Por Redação

A Europa, que aquece duas vezes mais rápido que a média global, enfrentou uma corrida por ares-condicionados durante a recente onda de calor. Na Joybuy, braço de varejo online da JD.com, as vendas de aparelhos dispararam quase 40 vezes entre 19 e 25 de junho em comparação com a primeira semana do mês. Fabricantes como Haier, Gree​ e Midea​ (que respondem juntas por 32% do mercado europeu em volume, segundo a Euromonitor) tiveram de acelerar a produção para atender à demanda reprimida em um continente onde apenas 20% das residências possuem climatização.

Inovação sob medida

Para contornar barreiras estruturais europeias, como custos de instalação que superam mil euros, restrições em prédios históricos e normas rígidas de ruído, as empresas chinesas adaptaram seus produtos.

A Midea​ lançou o PortaSplit, um modelo portátil que dispensa furação nas paredes e pesa menos de 10 kg, permitindo a instalação pelo próprio usuário. As vendas do aparelho na Europa dobraram em 2026, totalizando 200 mil unidades.

Na Haier, o foco foi a redução do ruído para 18 decibéis (equivalente ao som de uma biblioteca), atendendo às exigências alemãs. Já a fabricante de Zhejiang, Heallux, viu as exportações de ventiladores de torre com telas inteligentes crescerem 60% no acumulado do ano.

Equilíbrio entre conforto e metas climáticas

Especialistas destacam que o sucesso chinês reside na capacidade de conciliar a urgência do consumidor europeu com as metas globais de carbono. A China, que opera o maior sistema de energia renovável do mundo (37% da geração no primeiro trimestre veio de fontes limpas), projeta seus aparelhos para alta eficiência energética desde a fase de design.

“O ‘Fabricado na China’ hoje redefine produtos para atender demandas locais específicas, provando que somos líderes em inovação, não apenas em manufatura”, afirmou Xiong Xueqin, da Midea, à agência Xinhua.

A estratégia faz parte do compromisso de Beijing com suas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que visam expandir a capacidade de energia eólica e solar para seis vezes os níveis de 2020 até 2035. Além disso, a transição para refrigerantes naturais de baixo potencial de aquecimento global reduz as emissões diretas e indiretas.

“Transformamos a necessidade emergencial de refrigeração em soluções de longo prazo que impulsionam a transição energética global”, concluiu Pan Helin, especialista do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação.

Publicado em: 06/07/2026

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