A China lançou oficialmente um programa científico internacional para construir uma rede de satélites dedicada a observar o chamado espaço cislunar, a região entre a órbita baixa da Terra e cerca de 2 milhões de quilômetros de distância do planeta, que inclui a Lua. O anúncio foi feito na Conferência Internacional de Exploração do Espaço Profundo de 2026, realizada entre quinta e sexta-feira em Hefei, capital da província de Anhui, no leste do país.
O programa, batizado de Constelação Cislunar de CubeSat (C3), vai reunir 30 minissatélites — cada um pesando no máximo 30 quilos — dedicados a monitorar o ambiente espacial e detectar explosões de raios gama, fenômenos cósmicos extremamente energéticos. Segundo Hu Zhaobin, vice-presidente da Associação Internacional de Exploração do Espaço Profundo (IDSEA), todos os satélites devem ser lançados até 2030, formando uma rede capaz de observar o espaço cislunar de forma contínua — hoje, o monitoramento da região depende de observações pontuais e isoladas, com lacunas de cobertura.
A iniciativa é aberta a cientistas e instituições de qualquer país, com foco declarado em ampliar a participação de nações em desenvolvimento em missões de exploração do espaço profundo, incluindo treinamento técnico e padrões unificados de interface entre equipamentos. Instituições de pesquisa da Tailândia, Sérvia, Egito, Senegal e Indonésia já aderiram ao programa; não há, até o momento, registro de participação de instituições brasileiras.
O projeto é liderado pelo Laboratório de Exploração do Espaço Profundo (DSEL), inaugurado em 2022 e hoje com parcerias com mais de 60 instituições internacionais, em conjunto com a IDSEA — a primeira organização acadêmica internacional sediada na China dedicada à exploração do espaço profundo, criada em 2025 — e com apoio da Organização de Cooperação Espacial Ásia-Pacífico. A primeira fase de desenvolvimento de engenharia, com os projetos gerais dos satélites e de seus sistemas de rastreamento, já está quase concluída.







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