China inicia maior projeto de transmissão elétrica já feito no Brasil

Empresas privadas chinesas como CHINT e EP Equipment também avançam no país, com apoio de um fundo bilionário do BNDES com bancos chineses
Por Redação
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A State Grid Corporation of China deu início a um projeto de linha de transmissão de energia de ultra-alta tensão (UHV) de 1.468 quilômetros no Brasil, o maior investimento já feito em uma concessão de transmissão elétrica no país. A obra é um dos exemplos mais recentes do aprofundamento da cooperação entre China e Brasil na transição verde, com empresas chinesas trazendo tecnologia de ponta para diversificar a matriz energética brasileira, segundo especialistas do setor.

A obra usa tecnologia UHV já madura na China, deve entrar em operação em 2029 e funcionará como uma artéria energética, levando energia eólica, solar e hidrelétrica do Nordeste brasileiro, rico em recursos, até os principais centros de carga do Centro-Sul do país. Uma vez em pleno funcionamento, o projeto deve entregar mais de 20 bilhões de kWh de energia limpa por ano, equivalente a uma redução de 6,84 milhões de toneladas de CO2.

A State Grid já havia lançado as fases 1 e 2 do projeto de corrente contínua de ultra-alta tensão de Belo Monte, que transportam energia hidrelétrica gerada na Amazônia diretamente para o Sudeste do país. Segundo a empresa, esses projetos ajudaram o Brasil a otimizar a alocação de seus recursos energéticos e acelerar a transformação de baixo carbono da matriz elétrica nacional.

Consenso sobre “civilização ecológica”

“China e Brasil compartilham um alto grau de consenso sobre a construção de uma civilização ecológica”, disse Zhou Zhiwei, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Sociais, à agência Xinhua. Segundo ele, a política “Nova Indústria Brasil”, lançada pelo governo brasileiro para o período 2024-2026 com foco em reindustrialização, produtividade e sustentabilidade, é altamente compatível com a abordagem chinesa de desenvolvimento verde, que também está no centro do 15º Plano Quinquenal da China (2026-2030).

Para Zhou, as prioridades estratégicas dos dois países: desenvolvimento verde, transição energética e reindustrialização, são bastante convergentes, e a experiência chinesa em infraestrutura, modernização industrial e inovação tecnológica pode servir como referência valiosa à medida que a cooperação avança.

Empresas privadas também avançam

Além dos projetos estatais de infraestrutura, empresas privadas chinesas também vêm ganhando espaço na transição verde brasileira, trazendo soluções de mercado em áreas como energia limpa, mobilidade elétrica e manufatura sustentável.

Um exemplo é a CHINT Group, provedora de soluções de energia inteligente sediada na província de Zhejiang, que opera no Brasil há mais de 20 anos, com operações, manufatura, distribuição, pesquisa e desenvolvimento totalmente localizados no país. Em 2025, a empresa inaugurou uma fábrica de medidores inteligentes em Manaus. “Ao trazer nossa experiência em eletricidade e novas energias para o Brasil, estamos aprofundando a cooperação energética entre os dois países e apoiando a transição de baixo carbono do setor elétrico brasileiro”, disse Shan Hao, gerente da CHINT para o Brasil.

Já a EP Equipment, fabricante chinesa de empilhadeiras elétricas e autônomas, adaptou seus produtos ao clima tropical e ao terreno lamacento do país, desenvolvendo modelos com baterias de troca rápida e maior autonomia, segundo Zhao Hailiang, gerente-geral da unidade de comércio exterior da empresa.

Fundo bilionário para sustentar a parceria

Para dar suporte financeiro a essa cooperação, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco de Importação e Exportação da China (Eximbank) criaram um fundo de investimento de US$ 1 bilhão, voltado a projetos de mudança climática, novas energias e infraestrutura.

Segundo José Medeiros da Silva, professor e diretor do Centro de Estudos do Brasil na Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang, China e Brasil, como duas das maiores economias em desenvolvimento do mundo, podem desempenhar papel decisivo na busca por integrar crescimento econômico, inclusão social e proteção ambiental.

Para Zhou, a China tem capital, tecnologia e escala de manufatura, enquanto o Brasil tem recursos naturais abundantes e necessidade urgente de industrialização sustentável. Segundo ele, essa cooperação não significa um lado ajudando o outro, mas sim benefício mútuo, prova de que a transição para uma economia verde pode ser motor de crescimento, e não um freio.

Publicado em: 24/08/2026

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