A BYD deu início aos trâmites para dobrar a capacidade de produção de sua fábrica em Camaçari (BA), que deve chegar a 600 mil veículos por ano, informou a montadora chinesa na última sexta-feira (23). A expansão responde à demanda pelos carros da marca no Brasil, que hoje supera o que a unidade consegue entregar.
Segundo o vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, a empresa recebe pedidos de cerca de 30 mil veículos por mês no país, enquanto a produção deve chegar a 25 mil unidades mensais até o fim de 2026. “Estamos deixando de faturar cerca de 5.000 a 6.000 vendas adicionais”, disse.
A meta de 600 mil unidades anuais foi anunciada na inauguração da fábrica, em outubro de 2025, quando o fundador e CEO da BYD, Wang Chuanfu, comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que dobraria o plano original de 300 mil. A novidade agora é o início do processo para colocar essa ampliação em prática.
A unidade, instalada no complexo industrial que pertenceu à Ford, está na fase final de obras e testes das áreas de estamparia, soldagem e pintura. São as etapas em que as chapas de aço são moldadas, unidas para formar a carroceria e pintadas, o que reduz a dependência de partes que chegam prontas do exterior.
A empresa prevê ultrapassar, no início de 2027, o patamar de 50% de componentes nacionais exigido pela legislação para que a unidade seja reconhecida como fabricante local. Baldy afirmou que a meta é começar o ano já acima desse nível, com as novas etapas em operação.
O reconhecimento também abre caminho para as exportações. A fábrica tem encomendas de 50 mil veículos do México e outros 50 mil da Argentina, anunciadas em março, e a BYD espera começar a atender esses pedidos em 2027, à medida que aumentar o conteúdo local.
Em setembro, a BYD emplacou 22.209 veículos no Brasil, o equivalente a 8,5% do mercado nacional, segundo dados da própria empresa. A meta declarada da montadora é tornar-se a maior do país em volume de vendas até 2030.







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