O Salão do Automóvel de Paris de 2026 tem a maior participação chinesa da sua história. Segundo a Xinhua, 25 marcas chinesas, de 16 montadoras como BYD, Xpeng, Changan, Dongfeng e Leapmotor, estão entre os cerca de 100 expositores do evento, aberto no dia 12. Para Serge Gachot, diretor do salão, as montadoras chinesas estão mais focadas em fortalecer suas marcas e em buscar parceiros locais, o que mostra um compromisso maior com a França e o restante da Europa.
Da venda à fábrica
No espaço da Stellantis, a Leapmotor expôs seus carros ao lado de Citroën e Peugeot. A marca chinesa apresentou o compacto elétrico A05 e o SUV D19, seu modelo topo de linha, e anunciou que o SUV elétrico B10 entrou em produção na fábrica de Zaragoza, na Espanha.
A unidade, desenvolvida com a Stellantis e aproveitando a estrutura industrial do grupo europeu, abastece o mercado da Europa. Segundo a Xinhua, a parceria passa assim da venda à produção local. O mesmo modelo de parceria chega ao Brasil. A Stellantis vai montar carros da Leapmotor em Goiana (PE), com início previsto para novembro, segundo o CEO global do grupo, Antonio Filosa. Os primeiros veículos usarão componentes importados da China. O B10 já é vendido no país.
Francesco Giacalone, chefe de produto e marketing da Leapmotor International, avalia que as marcas chinesas complementam as da Stellantis e ajudam o grupo a alcançar mais clientes.
Geely reúne três marcas
A Geely Automobile Holdings estreou no salão de aumotóvel com suas três marcas juntas: Geely, Lynk & Co e Zeekr. Segundo Nan Shengliang, vice-presidente do Geely Auto Group, a empresa já está em 27 países europeus e tem mais de 450 concessionárias.
Em julho, Geely e Ford anunciaram um acordo para produzir veículos de nova energia para o mercado europeu na fábrica da Ford em Valência, na Espanha. A expectativa é que o acordo acelere a produção local da Geely, ocupe a capacidade ociosa da fábrica e gere empregos.
Marc Debord, diretor de comunicação da Volvo Car France, lembrou que, desde que a Geely comprou a Volvo da Ford, em 2010, os investimentos ajudaram a marca sueca a desenvolver novas plataformas e motores, acelerar a eletrificação e crescer globalmente.
Oportunidade para fornecedores de automóvel
A expansão chinesa também abre espaço para fornecedores europeus de autopeças de automóvel. François Marion, diretor de comunicação e sustentabilidade da francesa Valeo, disse que as fábricas da empresa na Europa podem abastecer as unidades das montadoras chinesas no continente. Segundo ele, as equipes de pesquisa da Valeo na China também podem trabalhar diretamente com as montadoras chinesas, aproximando as cadeias de produção dos dois lados.
Direção assistida nas ruas
As tecnologias de condução também ganharam destaque, com demonstrações nas ruas de Paris. Xpeng e Tesla oferecem test drives ao público. O sistema de direção assistida da Xpeng, que conduz o carro seguindo a rota traçada pela navegação, atraiu muitas inscrições.
“O futuro da indústria de automóvel está no software e na inteligência artificial”, afirmou Thomas Rodier, chefe de marketing e comunicação da Xpeng na França. Para ele, a experiência chinesa nessas áreas pode ajudar as montadoras europeias a acelerar sua transformação.
Gachot vê amplas perspectivas de cooperação entre chineses e europeus e incentivou as empresas chinesas a investir em produção, pesquisa e cadeia de suprimentos na Europa. Na avaliação dele, isso integraria as montadoras chinesas ao ecossistema de automóvel europeu, aumentando a concorrência e as oportunidades de parceria.






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