Pesquisadores identificaram em Chaohu, na Província de Anhui, no leste da China, rastros fósseis de um caranguejo-ferradura gigante com mais de 240 milhões de anos. São nove trilhas de até 5 metros, marcadas por arranhões paralelos, deixadas num mar raso que cobria a região, hoje no interior do país. O estudo, publicado no Journal of Paleontology, tem entre os coautores o brasileiro Gabriel Eduardo Baréa de Barros, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), responsável por comparar as marcas com outros rastros conhecidos e identificar o autor.
Pelo tamanho das trilhas, o animal teria mais de 70 cm, o que o coloca entre os maiores caranguejos-ferradura já registrados. Apesar do nome, esses artrópodes são parentes de aranhas e escorpiões e mudaram tão pouco ao longo de centenas de milhões de anos que são chamados de “fósseis vivos”. A surpresa está na postura: as espécies atuais nadam de barriga para cima, enquanto os rastros indicam que a espécie antiga nadava de dorso para cima. Para Barros, o achado “levanta novas questões sobre como esses animais se comportavam no passado”.
A descoberta acrescenta uma nova espécie à Fauna de Chaohu, comunidade marinha diversa do início do Triássico já conhecida na região, e traz evidências raras da recuperação dos ecossistemas de águas rasas após a extinção do Permiano-Triássico, a mais severa da história da Terra, ocorrida há cerca de 250 milhões de anos. Os pesquisadores, parte deles de Anhui, afirmam esperar novos achados na área.







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