Visitantes estrangeiros gastaram 263,6 bilhões de yuans (cerca de US$ 39 bilhões) na China entre janeiro e julho de 2026, alta de 28% sobre o mesmo período do ano passado, segundo o Ministério do Comércio. A tendência ganhou nome nas redes sociais, “China Haul”, e tem em Shenzhen uma das principais vitrines. Cerca de 8 mil compradores estrangeiros passam por dia pelo Huaqiangbei, grande mercado de eletrônicos da cidade, onde as vendas de produtos de inteligência artificial (IA) cresceram mais de 55% no período. As vendas de óculos de IA dobraram, e as de drones e robôs subiram entre 60% e 70%.
A procura vai além da tecnologia. Em Changsha, capital da província de Hunan, uma loja com mais de 35 mil tipos de petiscos virou parada obrigatória de turistas, e em Chengdu uma loja da Xiaomi afirma que estrangeiros já são 30% do fluxo diário de clientes. Segundo visitantes ouvidos pela Xinhua, o atrativo não é só o preço, mas também o design, a qualidade e a praticidade dos produtos. Para He Yun, professora-associada da Universidade de Hunan, o fenômeno reflete a passagem da China de exportadora de capacidade produtiva para exportadora de marcas e estilos de vida.
Políticas de facilitação ajudam a explicar o salto. De janeiro a agosto, estrangeiros fizeram quase 61,3 milhões de travessias de fronteira, alta de 19,5%, das quais 23,7 milhões com isenção de visto, 27% a mais que em 2025. Já o número de estrangeiros que pedem reembolso de impostos na saída, em muitos casos devolvido logo após a compra, mais que triplicou até julho. Brasileiros estão entre os beneficiados pela isenção de visto, que permite estadias de até 30 dias e vale até 31 de dezembro de 2026.







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