A 25ª expedição científica internacional à caverna Shuanghe, no condado de Suiyang, província de Guizhou, no sudoeste da China, mapeou mais 41,8 km de galerias. Com o acréscimo, divulgado em setembro, o sistema chega a 481,5 km de extensão, 912 metros de profundidade e 124 entradas interligadas. Segundo a Xinhua, é o terceiro maior sistema de cavernas do mundo e o maior da Ásia. A exploração conjunta entre China e França começou em 2001, quando eram conhecidas apenas algumas dezenas de quilômetros.
A caverna também funciona como um arquivo natural da evolução das espécies. A expedição deste ano encontrou mais nove fósseis de pandas-gigantes, elevando o total a 61, e dois pontos com marcas de garras dos animais. Segundo Wang Deyuan, pesquisador associado da Academia de Ciências de Guizhou, as marcas indicam que os pandas entraram na caverna, caíram num poço vertical, sobreviveram à queda e tentaram seguir adiante, até cair num poço mais profundo e ficar presos. Pela primeira vez, foram achados no local fósseis de anta-gigante e de leopardo-nebuloso.
Outra frente de pesquisa reconstrói o clima do passado. Com a datação por urânio-chumbo, técnica que calcula a idade de um mineral pela lenta transformação do urânio em chumbo, a equipe identificou depósitos de carbonato com mais de 5 milhões de anos, o que amplia a cronologia de formação das grandes cavernas da região. O espeleólogo francês Jean Bottazzi, que explora Shuanghe há mais de duas décadas e hoje mora num vilarejo próximo, diz que todo o material é compartilhado entre chineses e estrangeiros: “Trabalhamos para a ciência.”







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