O Bilibili, plataforma de vídeos chinesa conhecida como “YouTube chinês”, começou a operar no Brasil em agosto com uma versão em português do aplicativo. A empresa, que reúne cerca de 500 milhões de usuários no mundo, tenta reduzir a dependência do público chinês — onde a marca segue fortemente associada — e se posicionar como concorrente global de YouTube e TikTok. Mas o momento da chegada e o público que a plataforma mira dizem mais sobre a aposta do que o anúncio em si.
Um modelo diferente do TikTok
A comparação com o TikTok é inevitável — ambas são plataformas chinesas de vídeo buscando espaço fora da China — mas os modelos são bem diferentes. Enquanto o TikTok cresceu com vídeos curtos e descoberta rápida de conteúdo, o Bilibili construiu sua identidade em torno de vídeos longos, animes, séries e produções próprias, com uma base de usuários historicamente ligada à cultura pop asiática. Um dos recursos mais característicos da plataforma é o “danmu”, sistema de comentários que aparece sobre o próprio vídeo em tempo real — mais parecido com uma sala de chat sincronizada do que com os comentários tradicionais do YouTube.
Para entrar no Brasil, a empresa apostou na dublagem como diferencial e simplificou o cadastro: ao contrário da versão chinesa, que exige verificação de identidade, a versão internacional dispensa essa etapa. É uma escolha que facilita a adoção.
Por que o Bilibili aposta no Brasil, especificamente?
A resposta está nos números do público brasileiro de anime e cultura pop asiática. O Brasil é hoje o segundo país com mais assinantes da Crunchyroll no mundo, segundo a própria plataforma, e aparece entre os mercados de anime que mais crescem globalmente, de acordo com pesquisa da NRG em parceria com a Crunchyroll. O mercado global de anime, segundo estimativas do banco de investimentos Jefferies, deve quase dobrar até 2030 — e o Brasil concentra parte relevante dessa expansão, especialmente entre a Geração Z.
Esse comportamento também explica a estratégia comercial do Bilibili: assim como o TikTok, que no Brasil já tem 134 milhões de usuários e vê metade deles usar a plataforma para descobrir produtos, o Bilibili aposta em recursos de comércio integrado e live commerce como parte do pacote — não só entretenimento, mas também um canal de vendas.
Quem está por trás da expansão
O Bilibili não chega ao Brasil como uma startup desconhecida. A empresa tem entre seus investidores nomes como Tencent e Alibaba, e recebeu no passado um aporte de US$ 400 milhões da Sony, como parte de uma parceria de conteúdo voltada a animes e games. Neste mês, a companhia relançou seu aplicativo internacional (já com mais de 100 milhões de downloads no Android, ainda sem data confirmada para o iOS), prepara uma versão em inglês do site e abriu vagas em cidades como São Paulo, Londres, Los Angeles, Cidade do México, Istambul e Tóquio.







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