Por que o Bilibili aposta no Brasil para crescer fora da China

Chegada da plataforma mira um dos maiores mercados de anime do mundo
Por Redação
Cosplayers da Bilibili, uma plataforma chinesa de vídeos de animação, posam para fotos na Times Square, em Nova York (Estados Unidos), em 28 de março de 2018. A Bilibili Inc., plataforma chinesa de vídeos de animação, tocou o sino de abertura da bolsa de valores Nasdaq na quarta-feira para celebrar sua oferta pública inicial (IPO). (Xinhua/Li Ming)
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O Bilibili, plataforma de vídeos chinesa conhecida como “YouTube chinês”, começou a operar no Brasil em agosto com uma versão em português do aplicativo. A empresa, que reúne cerca de 500 milhões de usuários no mundo, tenta reduzir a dependência do público chinês — onde a marca segue fortemente associada — e se posicionar como concorrente global de YouTube e TikTok. Mas o momento da chegada e o público que a plataforma mira dizem mais sobre a aposta do que o anúncio em si.

Um modelo diferente do TikTok

A comparação com o TikTok é inevitável — ambas são plataformas chinesas de vídeo buscando espaço fora da China — mas os modelos são bem diferentes. Enquanto o TikTok cresceu com vídeos curtos e descoberta rápida de conteúdo, o Bilibili construiu sua identidade em torno de vídeos longos, animes, séries e produções próprias, com uma base de usuários historicamente ligada à cultura pop asiática. Um dos recursos mais característicos da plataforma é o “danmu”, sistema de comentários que aparece sobre o próprio vídeo em tempo real — mais parecido com uma sala de chat sincronizada do que com os comentários tradicionais do YouTube.

Para entrar no Brasil, a empresa apostou na dublagem como diferencial e simplificou o cadastro: ao contrário da versão chinesa, que exige verificação de identidade, a versão internacional dispensa essa etapa. É uma escolha que facilita a adoção.

Por que o Bilibili aposta no Brasil, especificamente?

A resposta está nos números do público brasileiro de anime e cultura pop asiática. O Brasil é hoje o segundo país com mais assinantes da Crunchyroll no mundo, segundo a própria plataforma, e aparece entre os mercados de anime que mais crescem globalmente, de acordo com pesquisa da NRG em parceria com a Crunchyroll. O mercado global de anime, segundo estimativas do banco de investimentos Jefferies, deve quase dobrar até 2030 — e o Brasil concentra parte relevante dessa expansão, especialmente entre a Geração Z.

Esse comportamento também explica a estratégia comercial do Bilibili: assim como o TikTok, que no Brasil já tem 134 milhões de usuários e vê metade deles usar a plataforma para descobrir produtos, o Bilibili aposta em recursos de comércio integrado e live commerce como parte do pacote — não só entretenimento, mas também um canal de vendas.

Quem está por trás da expansão

O Bilibili não chega ao Brasil como uma startup desconhecida. A empresa tem entre seus investidores nomes como Tencent e Alibaba, e recebeu no passado um aporte de US$ 400 milhões da Sony, como parte de uma parceria de conteúdo voltada a animes e games. Neste mês, a companhia relançou seu aplicativo internacional (já com mais de 100 milhões de downloads no Android, ainda sem data confirmada para o iOS), prepara uma versão em inglês do site e abriu vagas em cidades como São Paulo, Londres, Los Angeles, Cidade do México, Istambul e Tóquio.

Publicado em: 06/09/2026

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