Nos dias 19 e 20 de setembro, a Rua 25 de Março, no centro histórico de São Paulo, recebe a quarta edição do Festival da Lua Chinês — considerado o maior evento cultural chinês do Brasil. Também chamado de Festival do Meio do Outono, o encontro celebra uma das festividades mais tradicionais da China e, na capital paulista, se tornou uma vitrine da cultura chinesa para a população brasileira e para outras comunidades que vivem na cidade.
A programação é gratuita e ocupa dois dias: sábado, das 10h às 21h, e domingo, das 10h às 18h. Em 2025, o festival recebeu mais de 300 mil pessoas e exibiu o desfile do maior dragão já montado no Brasil, com mais de 105 metros. Para esta edição, a organização projeta um novo recorde: o maior Desfile de Leões Chineses do país, com 100 animais.
Símbolos, dança e tradição em torno do Festival da Lua
Na cultura chinesa, leões e dragões estão presentes em festividades importantes como símbolos de proteção, prosperidade e boa sorte. O leão representa celebração e boa sorte; o dragão, força e sabedoria. Ao longo dos dois dias, o público poderá acompanhar apresentações de artes marciais, danças folclóricas e o Desfile Retumbante dos Tambores da Lua, além de barracas com comidas típicas e o tradicional bolo da lua — feito de massa de arroz glutinoso com recheios como pasta de gergelim, feijão vermelho ou ovo.
Uma novidade deste ano é a apresentação da princesa da Lua, Chang’e, com a Técnica Bù Dǎo Wēng, uma dança inédita no Brasil marcada pela delicadeza dos movimentos e pelo equilíbrio da intérprete. Outro destaque é o “Caminho dos Desejos”, espaço onde o público pode pendurar plaquinhas de madeira abençoadas — os “xuyuan pai” — com pedidos escritos à mão, que depois do festival são queimadas em um templo local. Cada plaquinha custa R$ 5.
Segundo Vitor Zhu, presidente da Agência de Promoção China-Brasil (APROCHINA), o festival busca ser “mais do que uma simples celebração”: a ideia é criar um espaço de encontro e aprendizado entre culturas e fortalecer os laços entre a comunidade chinesa e a sociedade brasileira. Zhu destaca ainda que, desde a primeira edição, o evento provou ser possível transformar a rotina comercial da 25 de Março em algo mais familiar e cultural, com trânsito organizado e segurança — resultado de uma parceria da organização com a Univinco, a Subprefeitura da Sé e a Polícia Militar. Alguns comerciantes da região chegam a estender o expediente até a noite durante o festival.
A lenda por trás do Festival da Lua
A origem do Festival da Lua remonta à Dinastia Tang (618–907), quando os chineses passaram a associar o movimento da lua às estações do ano e à produção agrícola, fazendo oferendas de agradecimento pela colheita nos dias de outono em que ela aparece mais cheia e brilhante.
Uma das lendas mais conhecidas ligadas à data é a da deusa Chang’e. Segundo a história, um herói chamado Hou Yi teria abatido nove de dez sóis que castigavam a Terra, salvando a humanidade, e como recompensa recebeu de uma rainha mítica um elixir da imortalidade, que confiou à esposa, Chang’e, para guardar. Ao ser ameaçada por um vizinho que tentou roubar o elixir, ela o teria ingerido e se transformado em deusa, subindo aos céus — mas pousando na lua por amor a Hou Yi, o ponto mais próximo da Terra. Desde então, a tradição chinesa associa a lua cheia à figura de Chang’e e celebra a data com bolos e oferendas em sua homenagem.
Serviço
4º Festival da Lua Chinês em São Paulo
Gratuito, para toda a família
Data: 19 e 20 de setembro de 2026
Horários: sábado, das 10h às 21h; domingo, das 10h às 18h
Local: Rua 25 de Março, esquina com a Ladeira Porto Geral — Metrô São Bento, Centro Histórico, São Paulo (SP)
O evento é organizado por uma comissão de entidades da comunidade sino-brasileira, liderada por sete organizações: Associação União Para a Promoção Pacífica Unificação da China no Brasil, Federação Sino Brasileira de Tiro Prático, Câmara de Comércio e Associação Geral de Jinhua no Brasil, Associação de Caridade China-Brasil, Associação Geral Promovedora de Unificação Pacífica da China no Brasil, Associação Geral dos Compatriotas de Minnan na América do Sul e a própria APROCHINA.







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