O acesso rodoviário ao porto de Gyirong, no sudoeste da China, na fronteira com o Nepal, foi restabelecido na manhã desta quarta-feira (2), após dias de obras ininterruptas. A reabertura permite a chegada de mais equipes de resgate, suprimentos e equipamentos de grande porte à área atingida pelo um deslizamento de lama em 26 de agosto.
O desastre foi provocado pelo colapso de uma geleira de alta altitude no Nepal, que desencadeou uma sequência de deslizamentos em cadeia até o porto, no Xizang. Segundo a atualização mais recente do governo regional, 21 pessoas foram confirmadas mortas e 541 seguem desaparecidas.
A China mobilizou mais de 2.300 profissionais de emergência para a operação. O trecho destruído pertence à rodovia nacional G216, principal via de acesso ao porto, e ventos fortes impediram que helicópteros lançassem socorristas diretamente na área do posto de fronteira, as primeiras equipes precisaram caminhar quilômetros na lama carregando equipamento pesado.
Como a estrada foi reconstruída em Xizang
A obra ocorreu num desfiladeiro estreito, com encosta íngreme de um lado e o rio de corrente rápida do outro, o que limitou o número de máquinas trabalhando ao mesmo tempo. Em trechos onde a base da estrada havia sido levada pela água, escavadeiras corriam o risco de atolar.
O rio corria a 6 ou 7 metros por segundo, o suficiente para arrastar pedras comuns usadas na reconstrução da base. Trazer rochas mais pesadas exigia cerca de três horas de transporte, de uma distância de 40 quilômetros, por uma via estreita e à beira de penhascos.
As equipes adaptaram os métodos: escavadeiras trabalharam em revezamento, passando entulho de uma máquina para a seguinte, e usaram o próprio rio para separar material aproveitável, agitando a mistura de lama, areia e pedra na água para que a correnteza levasse a lama fina e deixasse o que servia para refazer a base da pista. A estatal China Anneng, responsável pelo trecho, monitorou as encostas em tempo integral com sistemas de vídeo a laser assistidos por inteligência artificial.
Um lago represado que se formara acima do porto foi completamente drenado, segundo avaliação de uma equipe de especialistas divulgada na terça-feira (1º). O risco, porém, não passou: as condições do canal do rio a jusante seguem sob monitoramento.
Ajuda chinesa ao Nepal
Em paralelo ao resgate em Xizang, a China acionou assistência ao Nepal. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, informou que Pequim enviou ajuda financeira emergencial, apoio humanitário e especialistas. O primeiro lote, de 50 toneladas de suprimentos, chegou a Katmandu no domingo, acompanhado de especialistas chineses em resgate em túneis.
Uma segunda remessa seguiu na terça-feira, com equipamentos de purificação de água e iluminação, dispositivos de testagem genética e drones, além de uma equipe de peritos em DNA para apoiar a identificação de vítimas. Um terceiro lote está sendo preparado, com pontes Bailey, material de prevenção epidemiológica e equipamentos de comunicação de emergência.







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