A capacidade instalada de energia fotovoltaica da China ultrapassou, pela primeira vez, a capacidade instalada de usinas a carvão do país, informou nesta terça-feira (1º) a Administração Nacional de Energia. Até o fim de julho, a capacidade solar chinesa chegou a 1,286 bilhão de quilowatts, superando os 1,285 bilhão de quilowatts do carvão — a energia solar passa a ser a maior fonte de eletricidade instalada da China.
“Isso é um marco na transição energética verde e de baixo carbono da China”, disse Liu Zhiqiang, especialista do Conselho de Eletricidade da China, para quem o novo sistema elétrico do país, com energias renováveis como pilar central, está se consolidando de forma acelerada.
O que isso tem a ver com o Brasil
A escala da indústria solar chinesa já é a principal referência para o mercado brasileiro. Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), 99% dos painéis solares importados pelo Brasil vêm da China — o que significa que o ritmo de expansão, os custos de produção e os avanços tecnológicos chineses influenciam diretamente o preço da energia solar instalada em telhados e usinas no país.
No mundo todo, a China já fornece mais de 80% dos módulos fotovoltaicos e 70% dos equipamentos de energia eólica, segundo a administração chinesa, uma posição que, segundo especialistas citados no comunicado, ajuda a estabilizar os mercados globais de energia em meio às incertezas nas cadeias de suprimento.
Até julho, a energia solar já respondia por mais de 30% de toda a capacidade instalada de geração elétrica da China; entre a capacidade adicionada só nos sete primeiros meses de 2026, essa fatia sobe para mais de 40%.
Capacidade instalada, porém, não é o mesmo que geração efetiva. Entre janeiro e julho, a energia solar gerou 802,4 bilhões de quilowatts-hora, o equivalente a 13% do consumo elétrico total do país. “A energia solar é altamente intermitente, por causa do ciclo dia-noite e das condições climáticas, com horas de utilização bem mais baixas que as do carvão. No curto prazo, o carvão continuará sendo um pilar de segurança do sistema elétrico chinês”, explicou Liu.
Para lidar com essa intermitência, o 15º Plano Quinquenal (2026-2030) já prevê metas específicas de integração das renováveis à rede, entre elas, chegar a 6 trilhões de quilowatts-hora de geração renovável por ano até 2030, sendo mais de 4 trilhões vindos de energia eólica e solar combinadas. Segundo Liu, a aposta chinesa é tornar a energia solar mais previsível e despachável, com sistemas integrados de armazenamento e produção de hidrogênio a partir de energia solar.







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