A Seleção Brasileira de futebol de robôs humanoides conquistou o primeiro lugar entre as equipes estrangeiras no World Humanoid Robot Games (WHRG), em Pequim, depois de vencer o time italiano SPQR na decisão do RCAP Beijing Masters. Foi a primeira vez que o Brasil formou uma seleção para esse tipo de competição.
Formada neste ano por pesquisadores de cinco universidades brasileiras, a equipe usa robôs fabricados pela chinesa Booster Robotics, o que permite aos programadores brasileiros concentrar o trabalho em software, inteligência artificial e estratégia de jogo, em vez de construir o robô do zero.
Isabela Moura, de 21 anos, integrante do time e pesquisadora do RoboCIn, grupo de robótica da Universidade Federal de Pernambuco, contou à agência Xinhua que viu de perto o resultado do próprio trabalho: durante uma partida, bastou um comando seu para que os robôs, que minutos antes se posicionavam, seguiam a bola e chutavam de forma autônoma, parassem imediatamente. “É uma experiência muito boa”, disse ela, que começou na robótica há cerca de 18 meses e fez sua primeira viagem internacional em julho, para disputar a RoboCup na Coreia do Sul, antes de seguir para Pequim.
A cooperação com times chineses foi além da competição: uma equipe da Universidade Tsinghua participou do desenvolvimento de parte do código do time brasileiro, e a Universidade Agrícola da China deu suporte em estratégia de jogo. Segundo João Aguiar, integrante do time e formado pelo Centro Universitário FEI, o contato segue mesmo fora dos torneios. “A gente troca ideia sobre o que está desenvolvendo e também discute questões de manutenção”, disse ele à Xinhua.
Aguiar, que também disputou a edição do ano passado, disse notar uma evolução expressiva na robótica humanoide chinesa nos últimos anos. “O nível de desenvolvimento nos últimos três, quatro anos tem sido impressionante. Dá para ver o quanto esses robôs ficaram robustos, rápidos e inteligentes em cenários diferentes, como logística, indústria e farmácias”, afirmou.
Para Flavio Tonidandel, técnico do Time Brasil e diretor da Socialdroids Robotics, chama atenção o esforço chinês para aplicar robôs humanoides em tarefas cada vez mais complexas. “Precisamos submeter os robôs a desafios cada vez mais exigentes e complexos para que eles possam servir à sociedade”, disse. Segundo ele, políticas de apoio claras, competições como o WHRG e um fluxo constante de novos talentos explicam o ritmo acelerado da robótica humanoide chinesa. Hoje, o país concentra mais de 140 fabricantes do tipo de robô e responde por oito de cada dez unidades produzidas no mundo, com volume anual de 14.400 unidades.
Tonidandel também vê espaço para mais cooperação entre Brasil e China à medida que os robôs humanoides passam a ser usados no mundo real. “Os brasileiros enfrentam alguns desafios que os chineses talvez não enfrentem, e vice-versa. Os algoritmos que desenvolvemos no Brasil precisam ser adaptados às necessidades locais”, disse, acrescentando que essa troca pode ajudar tanto pesquisadores brasileiros a aprender com tecnologias avançadas quanto empresas chinesas a desenvolver soluções aplicáveis em mais países.
A cerimônia de premiação do WHRG acontece nesta quarta-feira (26), encerrando oficialmente a participação do Brasil na competição.







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