Viabilizando negócios chineses no Brasil

A parceria econômica entre China e Brasil tem potencial para avançar de forma significativa nos próximos anos; contar com parceiros locais pode ser a chave do sucesso

China Hoje – Siemens no Brasil

 

As relações econômicas entre a China e o Brasil cresceram de forma significativa nos últimos anos. Em 2001, o comércio bilateral entre os países foi da ordem de 1 bilhão de dólares. Em 2018, esse valor chegou a 100 bilhões de dólares. Ainda que seja robusto, e que a parceria seja a principal relação comercial do mundo em desenvolvimento, há espaço para crescimento. Mais importante: há espaço para uma transformação nessa relação.

Na base dessa mudança, algumas condições especiais nos dois países. Em 2013, a China anunciou planos de intensificar a internacionalização de sua economia, em uma iniciativa denominada Nova Rota da Seda. Como há dois mil anos, quando os chineses expandiram seu comércio por diversos países da Ásia, no rumo da Europa, novamente o foco é buscar mercados de alto potencial. Pelo lado do Brasil, um momento de abertura comercial, investimento em infraestrutura, atração de capital, simplificação de regras de negócios e melhoria do ambiente comercial.

O secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo chama atenção para um desafio. “A nova fase de relações entre Brasil e China precisa considerar o gigantesco potencial da China como investidor no exterior para que o Brasil possa endereçar muitos dos problemas de falta de infraestrutura do País”, acrescenta Troyjo. É nesse novo ambiente que as instituições brasileiras têm a oportunidade de atrair o investimento chinês.

Como as empresas estão fazendo isso?

“O mundo chinês privilegia harmonia e planejamento. O investimento da China no Brasil ganhou proporções muito relevantes para o Brasil. Nos últimos anos, descobrimos que os investidores chineses se comportam de maneira absolutamente profissional e eles descobriram que o Brasil é um excelente ambiente para investir, com modelos regulatórios que suportam a longevidade dos seus projetos”, comenta André Clark, presidente e CEO da Siemens no Brasil.

A Siemens é uma multinacional alemã com fortes raízes no Brasil. A empresa está no País há mais de 150 anos, quando realizou seu primeiro projeto, ainda no século 19. De lá para cá, esteve envolvida em alguns dos mais relevantes projetos dos setores de energia, infraestrutura e indústria do Brasil. Sua presença global e seu portfólio abrangente têm sido importantes diferenciais na concepção e na execução de projetos de infraestrutura como esses, que tanto o secretário Troyjo quanto o presidente André Clark mencionam. Na área de energia, por exemplo, os desafios são muitos no Brasil, desde a prospecção até o monitoramento de redes em operação, passando por soluções que reduzem o consumo e o custo da energia.

Um projeto recente desenvolvido pela Siemens nesse setor foi realizado no Egito, que teve sua capacidade de fornecimento de energia aumentada em 40% graças à instalação de um complexo com três centrais elétricas de ciclo combinado, mais 12 parques eólicos. Recebido em 2015, este se tornou o maior projeto da história da Siemens e serve como modelo para a construção de infraestruturas desse tipo em todo o mundo. Além da magnitude do projeto, ele também se destacou pelo prazo: apenas 18 meses depois da assinatura do acordo, a população egípcia já se beneficiava da energia gerada pelo megaprojeto.

Localmente, a Siemens também tem estado à frente de projetos altamente significativos no segmento de energia. Um deles foi o aprimoramento no acesso à energia elétrica da população da Bolívia, com a expansão de três centrais termelétricas: Termoeléctrica del Sur, Termoléctrica de Warnes e Termoléctrica Entre Ríos. Esse projeto de longo prazo faz parte de um programa estratégico do governo boliviano que visa transformar o país andino em um polo energético regional, consumindo soluções da Siemens como turbinas a gás e a vapor, geradores, transformadores, sistemas de instrumentação e controle, além de serviços e treinamento.

E os riscos?

Investir no Brasil é optar por um mercado de alto potencial, mas não imune a riscos. “Quem observa a cotação do real percebe a alta flutuação da moeda brasileira e esse dado pode afetar todo o cálculo e determinar um investimento”, observa Wolfgang Beitz, CFO da Siemens no Brasil. “Ter uma empresa como a Siemens, que conhece o mercado, que pode oferecer uma solução totalmente customizada, pode ser muito interessante. Nós queremos não só entregar produtos e serviços, mas uma solução completa”, acrescenta Beitz.

Esse conceito expresso pelo executivo, para a Siemens, não está apenas no campo da idealização. Recentemente, a empresa fechou contrato para implantar um projeto cujo modelo vai ao encontro dessa proposta. Uma das maiores produtoras de resinas termoplásticas das Américas, localizada no estado de São Paulo, planejou um grande projeto de eficiência energética, baseado no uso eficiente do gás oriundo de seus processos industriais. A empresa aceitou a proposta da Siemens, que irá assumir a construção, a operação e a manutenção de uma planta de alta tecnologia, responsável pela produção da energia pretendida no projeto original.

“Quando um investidor estrangeiro opta por instalar um novo negócio no Brasil, o fornecimento de energia pode ser uma das etapas mais desafiadoras. Com um modelo desse tipo, a Siemens assume não mais o simples fornecimento de equipamentos. Assumimos a produção de energia para esse novo empreendimento, a um custo fixo para o cliente que pode, desta forma, focar no seu core business”, conclui o CFO.

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