Por Zhang Shasha
Em uma conferência nacional sobre o setor de serviços realizada em Pequim, em 7 e 8 de abril, o primeiro-ministro Li Qiang conclamou o setor para adotar um foco dual, visando expandir a capacidade e melhorar a qualidade, e ao mesmo tempo equilibrar o desenvolvimento com uma regulação efetiva. A meta é chegar a um setor que seja ao mesmo tempo dinâmico e bem organizado.
Li ressaltou a necessidade de responder à mudança na estrutura demográfica do país, à evolução nas preferências dos consumidores e à atual reestruturação industrial. A prioridade, disse ele, deve ser fomentar continuamente novos motores de crescimento no setor de serviços e avançar no seu desenvolvimento digital, inteligente, padronizado, integrado e internacionalizado, em direção a um nível mais elevado.
A conferência foi o evento mais recente de uma série de sinais muito significativos que tiveram lugar no início do ano. Desde o esboço do 15º Plano Quinquenal, adotado em março na Quarta Sessão da 14ª Assembleia Popular Nacional (APN), principal órgão legislativo da China e que estabelece as prioridades de desenvolvimento da China para o período 2026-30, até o relatório de trabalho do governo entregue na mesma sessão e as reuniões recentes do Conselho de Estado, mais alto órgão administrativo estatal, o ponto alto da agenda política tem sido “melhorar a capacidade e a qualidade do setor de serviços”.
“Melhorar a capacidade” significa aumentar a oferta de serviços de alta qualidade e fortalecer o número e a capacidade dos atores do mercado, corrigindo um descompasso persistente que leva a demanda a superar a oferta, disse Shen Danyang, chefe da equipe do governo que elabora o relatório de trabalho e também diretor do Escritório de Pesquisa do Conselho de Estado, em coletiva de imprensa no dia 5 de março.
“Melhorar a qualidade” refere-se a aprimorar o profissionalismo, a padronização e o valor agregado do setor de serviços, evitando uma competição homogênea e de baixa eficiência, acrescentou.
Capacidade e qualidade – A estrutura econômica da China atravessa uma transição fundamental, movendo-se de forma constante para um modelo orientado pelos serviços. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas (NBS na sigla em inglês), o valor agregado do setor de serviços ultrapassou 80 trilhões de yuans (US$ 11,7 trilhões) pela primeira vez em 2025, com crescimento anual de 5,4%, e responde por 61,4% do crescimento econômico geral. Tornou-se um dos principais motores da economia. Aspecto notável é que as vendas de serviços no varejo aumentaram 5,5% no ano passado, superando as vendas de mercadorias em 1,7 ponto percentual. Portanto, a economia varejista da China está mudando, deixando de ser tão impulsionada pelo preço e por bens físicos e encaminhando-se para uma economia impulsionada por qualidade e serviços.
Nos dois primeiros meses de 2026, com o incentivo do feriado prolongado do Festival da Primavera (Ano Novo Chinês) de 15 a 23 de fevereiro, as vendas de serviços no varejo cresceram 5,6%, quase o dobro do crescimento de 2,8% registrado
nas vendas de bens no varejo.
A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC na sigla em inglês) projetou que, durante o período do 15º Plano Quinquenal, o tamanho do setor de serviços da China ultrapassará 100 trilhões de yuans (US$ 14,6 trilhões).
O setor também desempenha papel central no emprego. Em 2025, cerca de metade da força de trabalho estava empregada em serviços, e o setor se tornou a principal fonte de criação de empregos.
Streamers de comércio ao vivo, entregadores de comida, motoristas de aplicativo e analistas de dados – ocupações que mal existiam há 15 anos – têm agora presença constante no cotidiano chinês.
Melhoria estrutural – “A crescente importância dos serviços nesse estágio do desenvolvimento da China dificilmente pode ser exagerada”, disse Luo Zhiheng, economista-chefe da Guangkai Securities, à Beijing Review. Desenvolver o setor, disse ele, é um pilar fundamental tanto para a modernização industrial quanto para a competitividade da manufatura.
Os serviços ao produtor – gestão da cadeia de suprimentos, serviços financeiros, inspeção inteligente da qualidade e logística moderna – estão impulsionando ganhos de produtividade em quase todos os setores da economia. Do lado do consumidor, ganha força uma nova onda de serviços que facilitam a sua vida, como consultas médicas remotas, cuidados inteligentes para idosos e serviços domiciliares sob demanda.
Nos últimos anos, o setor de serviços ao produtor da China entrou em uma fase áurea de desenvolvimento. No período do 14º Plano Quinquenal (2020-25), seu valor agregado cresceu de 27,57 trilhões de yuans (US$4 trilhões) para 42,18 trilhões de yuans (US$ 6 trilhões), uma expansão liderada por tecnologia de informação, software e serviços financeiros.
No entanto, o setor permanece em grande parte pouco desenvolvido em relação aos seus pares globais. Zhang Xiaolan, vice-diretor do Laboratório de Simulação de Políticas do Departamento de Previsão Econômica do Centro Nacional de Informação,
disse ao site de notícias Yicai.com que os serviços a produtores representam nos Estados Unidos cerca de 65% do total de serviços. Na China, esse número está em torno de 30%, sugerindo que há um potencial ainda não explorado.
A prioridade agora, disse Zhang, é acelerar a transição dos serviços a produtores para que passem de um papel de apoio a componente central das novas forças produtivas de qualidade.
Atualmente, o PIB per capita da China ultrapassou US$ 13 mil em três anos consecutivos, e a principal preocupação dos consumidores muda rapidamente do enfoque “Será que temos isso?” para o enfoque “Será que isso é bom o suficiente?”
“China Services” – Além de seu papel interno, o setor de serviços também é um veículo para expandir a presença econômica internacional da China e fortalecer sua resiliência, disse Luo.
Em 2025, o comércio total de serviços da China ultrapassou 8 trilhões de yuans (US$ 1,2 trilhão) pela primeira vez, com crescimento anual de 7,4%. Só as exportações de serviços atingiram 3,63 trilhões de yuans (US$ 531,5 bilhões), um aumento de 14,2%.
Embora “Made in China” tenha se tornado uma marca reconhecida globalmente após anos de esforço, “China Services” ainda não obteve amplo reconhecimento, disse Lu Dongxiang, diretor executivo do Coastal Development Think Tank, ao Economic Daily.
O relatório de trabalho do governo deste ano sugere que se cultivem mais marcas “China Services”. Aumentar esse reconhecimento, disse Lu, exigirá um progresso sustentado na integração digital, na padronização da qualidade e um engajamento mais profundo com parceiros internacionais.
Lu disse que, à medida que todas as restrições remanescentes à aquisição de investimento estrangeiro na manufatura forem suspensas, o movimento mais amplo da China pela abertura se estenderá aos serviços.
O governo chinês destacou os serviços como a nova fronteira da reforma do acesso ao mercado – com ampliação de programas piloto para serviços de telecomunicações de valor agregado, biotecnologia, hospitais de propriedade totalmente estrangeira e outros campos, além de medidas bem ordenadas para expandir a abertura no setor digital e reduzir ainda mais as restrições ao comércio transfronteiriço de serviços.
Com olhos no futuro, Lu sugeriu que a China deveria atuar deliberadamente para se tornar mais aberta no plano internacional nas áreas de telecomunicações, internet, educação e serviços de saúde, de maneira bem sequenciada. A meta final é chegar a um setor de serviços alinhado aos padrões internacionais e com excelência em tecnologia, modelos de negócios e índices de qualidade.
Este texto foi publicado originalmente na revista China Hoje. Clique aqui, inscreva-se na nossa comunidade, receba gratuitamente uma assinatura digital e tenha acesso ao conteúdo completo.

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