Morre Zhu Rongji, ex-primeiro-ministro da China e arquiteto das reformas econômicas modernas

Líder foi o responsável pela estabilização da economia asiática durante a crise de 1997 e pela entrada da China na OMC

O ex-primeiro-ministro da China Zhu Rongji faleceu nesta quarta-feira (12) às 11h06 em Pequim, aos 97 anos. A notícia foi divulgada por uma nota de pesar conjunta emitida pelo Comitê Central do Partido Comunista da China, pelo Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional, pelo Conselho de Estado e pela Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.

Zhu Rongji, nascido em outubro de 1928 em Changsha, província de Hunan, foi membro do Comitê Permanente do Birô Político dos 14º e 15º Comitês Centrais do Partido Comunista da China. A nota de pesar o descreve como “um excelente membro do Partido, um combatente comunista leal e rigorosamente testado, e um destacado revolucionário, estadista e líder proletário do Partido e do Estado”.

O arquiteto da estabilidade econômica chinesa

Zhu Rongji serviu como primeiro-ministro da China de 1998 a 2003, um período crítico na modernização do país. Sob sua liderança, a China conseguiu realizar uma “aterrissagem suave” da economia, resistiu com sucesso à crise financeira asiática de 1997-1998 e implementou reformas estruturais profundas.

Entre suas realizações mais notáveis estão a implementação do sistema de divisão fiscal​ (tax-sharing system), que reequilibrou a distribuição de receitas entre o governo central e os governos provinciais, a reforma das estatais, com a política de “segurar as grandes e soltar as pequenas” e a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC)​ em 2001, marco decisivo na transição para uma economia de mercado.

Legado e personalidade

Formado pelo Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Tsinghua, Zhu Rongji era conhecido por sua franqueza e estilo de trabalho direto. Em sua posse como primeiro-ministro, em março de 1998, ele proferiu uma declaração que se tornou célebre: “Não importa se há um campo de minas à frente ou um abismo de dez mil metros abaixo, avançarei sem hesitar, irreversivelmente, dedicando-me até o fim, até minha morte”.

Após deixar o cargo, Zhu Rongji manteve-se afastado da vida pública, mas continuou acompanhando o desenvolvimento da causa socialista com características chinesas e apoiando firmemente a construção de integridade no Partido e a luta anticorrupção.

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