Estudo revela dieta e origem de nobres do Estado de Qin na China antiga

Pesquisadores identificam hierarquia social, casamentos políticos e hábitos alimentares com base em análise de dentes

Um estudo publicado na revista Heritage Science lançou nova luz sobre a vida de nobres do Estado de Qin durante a dinastia Zhou Oriental (770–256 a.C.), revelando padrões alimentares, práticas culturais e disparidades sociais da época. A pesquisa, liderada pelo professor Shang Xue, da Universidade da Academia Chinesa de Ciências, analisou dois túmulos nobres na província de Shaanxi, utilizando técnicas avançadas como análise de isótopos estáveis e exame de resíduos alimentares em cálculo dentário.

Os resultados mostram que o nobre masculino consumia principalmente milheto e uma quantidade elevada de carne, indicando seu alto status social. Já a nobre feminina teve uma dieta baseada em trigo ou arroz na infância, típica de regiões mais úmidas e quentes, sugerindo que era originária do leste ou sul da China e foi enviada ao Estado de Qin por meio de um casamento político, prática comum no Período das Primaveras e Outonos.

O estudo também indica que crianças nobres de Qin eram desmamadas por volta dos 3 anos, conforme registros clássicos chineses, enquanto vítimas sacrificiais, de status inferior, passavam pelo desmame muito mais cedo. Adolescentes do sexo masculino apresentavam aumento no consumo de carne ao se aproximarem da idade para o serviço militar, enquanto meninas nobres adaptavam sua alimentação às tradições locais a partir dos 7 anos.

Para os autores, além de reforçar o entendimento sobre a sociedade e a cultura alimentar da China antiga, a pesquisa demonstra o potencial das técnicas biomoleculares para reconstruir trajetórias de vida individuais ao longo da história chinesa.

Sem Comentários ainda!

Seu endereço de e-mail não será publicado.