A China realizou nesta quinta-feira (22), em Pequim, uma cerimônia em comemoração aos 90 anos da vitória da Longa Marcha do Exército Vermelho. O presidente Xi Jinping, também secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista Chinês (PCCh) e presidente da Comissão Militar Central, participou do evento e discursou.
A Longa Marcha foi uma retirada estratégica. Em 1934, o PCCh, ainda em formação, foi obrigado a abandonar sua principal base, nas províncias de Jiangxi e Fujian, depois de não conseguir conter a quinta campanha de cerco do governo do Kuomintang.
Em outubro daquele ano, cerca de 86 mil soldados atravessaram o rio Yudu, no leste do país, no início de uma jornada de 12.500 quilômetros que o jornalista americano Edgar Snow definiu como “uma odisseia sem paralelo nos tempos modernos”. As tropas cruzaram quase 100 rios e mais de 40 montanhas, passaram por pântanos considerados mortais e travaram mais de 600 batalhas. Muitos soldados morreram no caminho.
A marcha terminou em outubro de 1936, quando as três principais forças do Exército Vermelho se reuniram no noroeste da China. O ponto de chegada foi a base revolucionária de Shaanxi-Gansu, criada por Xi Zhongxun, pai do atual presidente, ao lado de Liu Zhidan e Xie Zichang. Segundo a Xinhua, a existência dessa base pesou na decisão de Mao Zedong de fazer dali o destino final.
Depois da Longa Marcha, o PCCh se estabeleceu no norte de Shaanxi, com sede em Yan’an por mais de uma década. Dali, o partido ganhou força, liderou a resistência à invasão japonesa e acabou derrotando o Kuomintang.
O condado de Yudu, na província de Jiangxi, onde a travessia começou, recebe milhões de visitantes por ano. Xi esteve lá em maio de 2019: depositou flores no monumento à partida da Longa Marcha, visitou o ponto de travessia do rio e encontrou descendentes dos soldados. Na ocasião, disse que o partido não havia esquecido sua aspiração original e que era preciso partir de novo a partir do legado do passado.
O presidente tem ligação pessoal com a região. Antes de completar 16 anos, deixou Pequim para viver em uma aldeia de Yan’an, onde passou sete anos trabalhando com camponeses. Foi lá que entrou no partido e se tornou secretário local, o início de sua trajetória política.







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