O número de alunos de origem chinesa no Poliedro Colégio de Perdizes, em São Paulo, passou de 7 para 22 desde 2022, quando a rede assumiu a unidade. Com o crescimento, a escola montou uma estrutura de acolhimento e viu surgir uma rede de apoio entre os próprios estudantes.
Um deles é Rodrigo Ye. Ele chegou ao colégio aos 12 anos, já morando no Brasil, mas com pouco domínio do português. A timidez e a pouca interação com os colegas dificultavam a participação nas aulas. A experiência levou a unidade a adotar medidas específicas. Entre elas estão um tradutor para os recém-chegados, sobretudo nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, ferramentas de tradução simultânea e aulas à tarde de português e reforço de conteúdos.
Segundo Rafael de Paula Aguiar Araújo, diretor-geral dos Colégios Poliedro de São Paulo, a escola percebeu logo que o desafio ia além do idioma. Era preciso ajudar os alunos a entender uma nova dinâmica escolar e criar vínculos sem perder o ritmo das aulas.
Parte desse apoio passou a acontecer de forma espontânea. Alunos chineses que já dominam o português ajudam os novatos na comunicação, na rotina e na aproximação com a turma. A coordenação e a orientação, que conhecem o perfil dos veteranos, fazem a ponte entre eles e quem acaba de chegar.
Hoje na 2ª série do Ensino Médio, Rodrigo tem excelente desempenho acadêmico e fala português com desenvoltura, segundo a escola. Ele começa a se preparar para o vestibular, ainda sem curso definido. Também virou referência para os novos colegas. Quando vê outros alunos chineses chegando, diz ele, “consigo entender o que eles estão passando e me aproximo para ajudar”.
O movimento acompanha a concentração da comunidade chinesa no estado. Segundo estimativa do Consulado-Geral da China em São Paulo, cerca de 280 mil chineses e descendentes vivem no Brasil, e aproximadamente 70% deles estão no estado de São Paulo, principalmente na capital.







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