Uma vila resgatada pelo turismo vermelho

A memória de Mao movimenta a economia de Bashang

Presidente Mao na Montanha de Jinggang, óleo sobre tela de Luo Gongliu, 1961.

A montanha Jinggang é considerada o berço da revolução chinesa. Há noventa anos, uma base revolucionária foi montada aqui e, desde então, a centelha da revolução chinesa irradiou-se para o resto do país.

Em fevereiro de 2016, uma semana antes da Festa da Primavera, o presidente chinês Xi Jinping visitou os residentes da montanha Jinggang. Em sua visita, enfatizou várias vezes que ninguém pode ser abandonado quando o país está construindo uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos; a montanha Jinggang deve ser um exemplo da campanha de alívio da pobreza, e o Espírito da Montanha Jinggang deve ser uma saudável inspiração para a nova era.

Um ano depois, por volta de fevereiro de 2017, a montanha Jinggang já havia conseguido sair da pobreza graças a medidas abrangentes voltadas para o turismo vermelho. Seu índice de pobreza reduziu-se de 13,8% em 2014 para 0,42% em 2017, e o índice de renda per capita disponível em áreas rurais chegou a quase 10 mil yuans. Liu Hong, secretário do Partido na cidade de Jinggangshan, declarou: “Sair rapidamente da pobreza não é nossa principal meta. Nosso esforço é permitir que todas as pessoas que vivem na antiga base de apoio revolucionária tenham uma vida melhor”.

A vila Bashang, antes uma comunidade afetada pela pobreza, tornou-se o exemplo do esforço das pessoas para alcançar uma vida melhor na área da montanha Jinggang.

Viver como no Exército Vermelho

A vila Bashang fica na área central da base de apoio revolucionária da montanha Jinggang, a apenas seis km da casa octogonal onde Mao Zedong viveu. Na vila, as pessoas encontram locais do campo de treinamento da montanha Buyun do Exército Vermelho, além do quartel-general do Quatro Front do Exército Vermelho e do túmulo do mártir revolucionário Yuan Wencai. Por isso, a vila Bashang é também chamada de “Vila do Exército Vermelho”.

Em 2016, a vila Bashang começou a desenvolver o turismo, com base nesses seus recursos “vermelhos”. A montanha Jinggang foi designada um centro nacional de educação da juventude sobre história moderna. Aproveitando essa oportunidade, a vila Bashang investiu mais de 500 milhões de yuans e desenvolveu um programa chamado “Um dia no Exército Vermelho”. Ele inclui atividades temáticas, como marchas rápidas, refeições do Exército Vermelho, visitas a casas e o compartilhamento da história do Exército Vermelho. Todo ano, mais de 40 mil turistas participam do programa e sentem como era a vida diária dos soldados do Exército Vermelho.

 

Na vila, turistas vestidos com uniformes do Exército Vermelho compõem uma cena admirável. Pessoas de todas as partes da China vêm aqui experimentar pessoalmente como era um dia na vida de um soldado do Exército Vermelho. “Passei o dia fazendo exercícios militares, apresentações e estudos de campo”, disse Yue Guiyong, estudante da Faculdade Baoding, província de Hebei.

Com a popularização da experiência desse programa, a vida dos habitantes locais melhorou.

Wu Yunyue é moradora da vila Bashang. Ela perdeu o marido por questões de saúde há alguns anos, e teve dificuldades para criar os dois filhos sozinha. Antes de 2013, seu lar dependia da renda obtida plantando arroz e criando porcos. Mesmo quando fazia serviços adicionais para complementar sua renda, Wu nunca ganhava mais do que 17 yuans por dia. Em 2013, ela participou da preparação das “refeições do Exército Vermelho” e naquele ano ganhou mais de 3 mil yuans. Em 2016, Wu serviu comida a mais de mil visitantes, obtendo uma renda líquida de 15 mil yuans naquele ano. “Às vezes eu também faço alguns serviços adicionais na vila para complementar a renda. Meu filho consegue ganhar cerca de 20 mil yuans por ano, então agora nossa renda doméstica chega perto dos 40 mil yuans ao ano”, disse Wu, com um largo sorriso.

“Em 2017, mais de 50 famílias participaram do negócio das refeições, e cada uma delas obteve uma renda extra de 20 mil yuans, em média”, declarou Liu Weidong, funcionário da administração municipal de Maoping. “Hoje todas as famílias de baixa renda da vila saíram da pobreza. O programa realmente aumentou a renda dos habitantes da vila!”

Centro educacional

Julho é a estação de pico para o turismo. Nessa época, a família de Deng Zhuxiang fica particularmente ocupada. Prover os visitantes com refeições rurais autênticas virou uma parte indispensável da vida cotidiana de Deng. Num dia comum, ela se ocupa na cozinha da casa dos pratos feitos no vapor no forno de barro, enquanto refoga os legumes colhidos na horta dos fundos. A refeição custa 33 yuans por pessoa. Uma mesa para dez pessoas pode render um ganho líquido de 180 yuans para a família de Deng, o que constitui um bom e bem-vindo alívio financeiro para ela.

Desde maio, uma escola primária abandonada na vila foi transformada em centro de “educação vermelha”. Com isso, a vila Bashang tem atraído novos visitantes – as crianças que vêm para um acampamento de férias de verão.

“Um quarto simples custa 30 yuans. Um quarto duplo, 50 yuans. E um quarto com ar-condicionado sai por 80 yuans.” No iníco de julho, a família de Deng recebeu 14 estudantes de escolas primárias nos acampamentos de verão por alguns dias, acrescentando mais 1.000 a 2.000 yuans à sua renda.

“A vila Bashang irá em breve assinar um acordo de cooperação com o Grupo Educacional Nanchang Tiange para promover acampamentos de verão e atividades ao ar livre. A vila Bashang será então capaz de acomodar mais 200 alunos por dia”. Ao constatar que um investimento isolado foi capaz de trazer uma renda substancial e sustentada, Li Guofeng, secretário do PARTIDO EM Bashang, passou a incentivar os habitantes a seguir o exemplo de Deng, e transformar suas casas rurais em opções de pousada para estudantes do centro educacional. Isso irá aumentar a popularidade de Bashang e abrir novos canais para os fazendeiros aumentarem sua renda.

Segundo Li, “Devemos assegurar crescimento tanto na economia coletiva da vila como na renda dos habitantes, e fazer com que tanto a vila quanto seus lares cresçam juntos. Cumprindo esses requisitos, a vila Bashang fez mais progressos ainda este ano no alívio da pobreza, viu florescer as pousadas, intensificou os esforços para realizar reparos ambientais e continuou incrementando a renda coletiva da vila. Vamos transformar nossos recursos históricos e naturais em vantagens para o desenvolvimento do turismo rural e do turismo vermelho”. Este ano, a vila Bashang aprimorou seu ambiente e elegeu alguns lares-modelo, que ostentavam os pátios mais bonitos. A família de Deng era um desses lares. Além disso, a mera geração de energia solar pode trazer este ano um ganho de 80 mil yuans para a economia coletiva da vila.

Transmitindo o gene vermelho

Monumento em homenagem ao Exército Vermelho, no topo da montanha Jinggang

A montanha Jinggang, com sua esplêndida história revolucionária, funciona como uma grande sala de aula e como base para a educação no espírito do partido, seus ideais, crenças, tradição revolucionária e patriotismo.

Li Zufang, 61 anos, é o neto do mártir do Exército Vermelho Li Xiaofu. Aos 21 anos, chefiava uma equipe de produção. Em 1987, entrou para o Partido na função de secretário da seção da vila. Li conta as histórias da revolução com uma emoção transbordante, canta canções do Exército Vermelho e se tornou o professor mais popular no centro de treinamento “vermelho”. Ele diz aos estudantes: “Não devemos nunca esquecer quais são as bases da vida atual, e temos que passar adiante os ‘genes vermelhos’”.

“É assim que se constrói uma maca…” diz Li aos alunos que participam do programa “Um Dia no Exército Vermelho”. Ele pega varas de bambu e cordas de cânhamo e mostra com grande habilidade como se constrói uma maca. Na opinião de Li, fazer com que os jovens experimentem a vida do Exército Vermelho é um dever e uma responsabilidade para alguém colo ele, que descende desse exército. Hoje em dia, Li quer mais que ensinar na vila Bashang. Seu desejo é divulgar as histórias do Exército Vermelho e o espírito de Jinggangshan além das montanhas. Na realidade, Li já levou as histórias a outras partes do país. Em novembro de 2017, foi para a Universidade Normal do Sul da China difundir o “gene vermelho”. E este ano foi contratado como professor de prática social pela Escola de Pós-Graduação da Universidade Normal Capital.

“Aqueles que ouviram minhas palestras convidaram-me para outras. Meu público já deve estar chegando a 300 mil pessoas”, disse Li. Suas palestras o mantêm tão ocupado que ele muitas vezes nem tem tempo de almoçar. E uma vez participou de mais de 180 fotos em grupo num só dia.

Antes, Li costumava ter uma renda mensal de cerca de mil yuans, em trabalhos longe da vila e da área rural. Desde que participa do projeto de alívio da pobreza da vila, iniciado em 2016, sua renda anual vem aumentando. “Minha renda este ano provavelmente será de 50 mil yuans. No último ano, ganhei 30 mil yuans, afirma satisfeito.

No início da operação para alívio da pobreza, a vila Bashang tinha 36 lares afetados pela pobreza, com uma população total de 92 pessoas. Em 2017, apenas um lar continua nesta condição.

No futuro, a vida na vila Bashang será ainda mais próspera. A municipalidade de Maoping, onde fica a vila, está implementando uma estratégia de desenvolvimento para promover o turismo em toda a região, oferecendo oportunidades de empreendedorismo a todos, além de um belo ambiente e de prosperidade moderada em todos os aspectos. O município tem a meta de tornar-se a mais bela “cidade vermelha”, e concentra seus esforços em construir um cinturão de cenários para o ecoturismo, uma zona de experiências para treinamento vermelho e um resort para descanso e férias. A zona de treinamento vermelho na vila Bashang já está em fase de planejamento.

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