Construindo juntos um futuro melhor

Nos últimos dez anos, a cooperação entre os países do Brics aumentou de modo constante sob a orientação de seus líderes. As áreas focais são segurança política, economia e finanças, e intercâmbios entre pessoas e culturas, com progressos substanciais nessas áreas. 

Graças aos esforços de todas as partes, a cooperação do Brics cresceu e transformou uma semente em uma árvore imponente, com papel importante nos assuntos internacionais.

Segundo dados do Fundo Monetário Internacional, a participação somada dos países do Brics  na economia mundial subiu de 12% para 23%. E sua contribuição para o crescimento econômico global supera agora 50%. Como a economia mundial ainda busca recuperação, os cinco países também enfrentam desafios de desenvolvimento.

Até o momento, numa avaliação geral, tem havido um diálogo abrangente e em vários níveis, além dos diversos mecanismos de cooperação entre os cinco países, como o Encontro de Líderes do Brics, a reunião regular dos Ministros do Exterior, o encontro de altos representantes para assuntos de segurança, o Conselho de Negócios do Brics, o Grupo de Trabalho do Brics contra o Terrorismo, o Grupo de Trabalho de Especialistas do Brics sobre Segurança Cibernética e intercâmbios e cooperação entre suas respectivas políticas. Mais importante, os países do Brics têm colocado em ação um mecanismo para que seus enviados participem de reuniões com organizações multilaterais em Nova York, Genebra e Viena, o que permite que alinhem suas posições e se manifestem com uma só voz sobre as principais questões internacionais e regionais.

No último mês de abril, o embaixador da China nas Nações Unidas, Liu Jieyi, fez um pronunciamento no Laboratório de Finanças de Alto Nível SDG em defesa do Brics, expondo o apoio do grupo ao desenvolvimento sustentável. É mais um exemplo de como o Brics desempenha seu devido papel nos assuntos internacionais. Ao mesmo tempo, o grupo realiza múltiplos intercâmbios culturais e entre os povos dos cinco países, fortalecendo o vínculo entre eles e consolidando os alicerces públicos para cooperações adicionais.

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul estão em estágios de desenvolvimento similares, enfrentam missões históricas similares e têm as mesmas metas de desenvolvimento. É natural que avancem juntos, e esse grupo pode contribuir para a paz e estabilidade mundiais, ajudando a melhorar as relações democráticas internacionais, promovendo um mundo multipolar, e protegendo os direitos e interesses legítimos dos países em desenvolvimento.

Cooperação inovadora – O presidente chinês Xi Jinping saudou a cooperação do Brics como uma inovação, que transcende o velho padrão de alianças políticas e militares e busca parcerias. Ela rompe com o obsoleto pensamento de segregação ideológica, e abre uma trilha de respeito mútuo e progresso comum. Também vai além da velha postura mental de um jogo de soma zero, para praticar um novo conceito de benefício mútuo e de cooperação ganha-ganha. “O mecanismo de cooperação do Brics existe há dez anos, e os membros do Brics têm colocado o foco em desenvolvimento, o que beneficia não só os povos dos cinco países como também oferece uma receita para que o mundo resolva os problemas de alimentação e segurança. Os países do Brics formam uma comunidade de interesses e de futuro compartilhados”, concluiu Xi.

Os ministros do Exterior dos países do Brics tiveram discussões construtivas a respeito do desenvolvimento do grupo para a próxima década. Há o consenso de que os cinco países devem assumir o papel de estabilizadores diante das crises regionais e internacionais. Todos eles têm enfatizado seu apoio ao papel crucial das Nações Unidas na gestão dos negócios internacionais e na busca de soluções políticas para problemas em regiões de conflito. Continuarão a defender a autoridade das leis internacionais na condução dos assuntos internacionais, e a unir esforços para lidar com os desafios enfrentados por toda a humanidade, como o terrorismo e a mudança climática.

Há consenso também entre os ministros do Exterior de que a cooperação do Brics deve acelerar a transformação da ordem internacional, contribuir para a construção de um mundo multipolar, promover as relações internacionais democráticas, e criar uma ordem e um sistema internacional justo e leal.

Nas circunstâncias globais, que são hoje definidas, mais do que por qualquer outra coisa, por grandes mudanças e por situações tumultuosas, a prioridade de todos os membros do Brics é manter a estabilidade e o desenvolvimento e, portanto, estimular um ambiente internacional saudável, orientando a ordem internacional no sentido de maior justiça e lealdade. O Brics constitui um mecanismo promissor em formação, e a cooperação do Brics reflete o desejo partilhado das economias emergentes, assim como as novas demandas das relações internacionais. Ela tem forte contraste com a mentalidade da Guerra Fria.

Novas relações internacionais – O ano de 2017 é outro marco no desenvolvimento do Brics. Em sua condição de presidente da Cúpula deste ano, a China buscará construir parcerias amplas e expandir o diálogo do “Brics Plus”. Politicamente, a China defende o princípio do “diálogo em vez da confrontação, e da parceria em lugar da aliança, sustentando uma política de amizade, sinceridade, benefício mútuo e inclusividade ao desenvolver relações com países vizinhos”. Ela irá trabalhar com outros países asiáticos para forjar uma comunidade de futuro compartilhado e promover a confluência de interesses. Defendendo a amizade e a justiça e buscando o bem maior, a China irá enfatizar a unidade e a cooperação com outros países em desenvolvimento da Ásia, África e América Latina, construindo uma estrutura de cooperação com os países e regiões em desenvolvimento e assim elevando a cooperação entre os países desenvolvidos a um novo nível.

Economicamente, a China irá promover o desenvolvimento inclusivo. Ela já contribuiu com a economia mundial por meio de seu desenvolvimento estável e sustentado no estágio do “novo normal”. Ajudou a montar e a implementar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável por meio de sua participação uniforme e abrangente nas negociações e cooperação em uma série de questões globais nos moldes da ONU. Ela promove a interconectividade por meio da Iniciativa Cinturão e Rota, que já realizou vários grandes projetos cooperativos de benefício mútuo.

A China está também fazendo avançar vigorosamente a cooperação internacional em produtividade, estendendo-a a quatro continentes – Ásia, África, Europa e América –, a fim de partilhar os frutos do desenvolvimento com mais países e regiões. Ela ajudou a melhorar a governança econômica global ao se colocar como cofundadora do Banco Asiático de Desenvolvimento de Infraestrutura, do Fundo da Rota da Seda e do Novo Banco de Desenvolvimento.

A China defende um novo tipo de relações internacionais, baseado em cooperação ganha-ganha, buscando um terreno comum ao mesmo tempo que deixa de lado as diferenças, expandindo o consenso e dissipando as divergências. Para alcançar essa meta, a China propõe maior comunicação e coordenação nas grandes questões internacionais e um crescente suprimento de bens públicos para a paz, estabilidade e prosperidade mundiais.

Estabelecendo parcerias com países ao redor do mundo, a China tem impulsionado a cooperação prática em várias áreas e promovido intercâmbios profundos entre diferentes países, povos e culturas, ampliando a compreensão mútua e levando à construção de uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade.

Todos os países do Brics estão cientes de que sua cooperação, como um barco navegando contra a corrente, deve continuar seguindo adiante, para que não deslizem para trás. Partindo das realizações da sua primeira década, o grupo espera implementar mais medidas substantivas para compor um novo tipo de relações internacionais nos próximos dez anos.

Durante a Nona Cúpula do Brics, que será realizada em setembro em Xiamen, está prevista uma reunião entre países de mercados emergentes e países desenvolvidos. A missão do Brics é promover solidariedade e cooperação entre esses países, e fazer esforços incessantes para cumprir a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Os fatos têm provado e continuarão a provar que o Brics trabalha para os interesses de todos os mercados emergentes e países em desenvolvimento, e não apenas para os dos cinco países que o compõem.

O grupo irá promover o espírito de abertura, inclusividade e cooperação ganha-ganha, defendendo um modelo cooperativo que acomode diferentes sistemas sociais e culturas, e objetiva alcançar benefícios mútuos para padrões de desenvolvimento diferentes. A nova situação internacional pede uma estrita coordenação e cooperação entre os países do Brics ao lidar com os desafios globais.

Acreditamos que, por meio de seus esforços conjuntos, a cooperação entre os países do Brics irá atender melhor ao bem-estar de seus povos, elevar sua posição e influência no plano internacional, e criar um futuro melhor para a humanidade.

 

Wu Sike é alto diplomata e ex-Enviado Especial da China para Assuntos do Oriente Médio. Foi embaixador na Arábia Saudita e no Egito.

 

 

 

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