China-Europe Railway Express gera novas possibilidades de comércio na Europa

A ferrovia expressa que liga Wuhan, na China, a Lyon, na França, é ideal para comerciantes de importação e exportação em toda a Europa

Depois de viajar cerca de 10 mil km pelo continente euroasiático em cerca de 18 dias, um trem de carga que partiu da cidade de Wuhan, na China central, chega em um terminal de trem em Venissieux, no sul de Lyon, com seus contêineres cheios de roupas esportivas, produtos eletrônicos e artigos para uma exposição cultural.

No século XVI, Lyon era o final da Rota da Seda na Europa Ocidental. Hoje, a China-Europe Railway Express, também chamada de “caravana de camelos de aço”, traz novas oportunidades para a Europa e injeta novo ímpeto no comércio sino-francês, cujo volume ultrapassou os US$ 60 bilhões em 2018.

Marcel Stein, chefe da empresa alemã DBO Bahnoperator, que opera o trânsito de trens de carga da cidade alemã Duisburg para Lyon, acredita que a China-Europe Railway Express oferece novas oportunidades para os comerciantes de importação e exportação. “Leva cerca de 15 dias para os trens de carga irem da China para a França, um período intermediário entre o tempo de trânsito da carga marítima (cerca de 40 dias) e a carga aérea (alguns dias), mas o custo é apenas uma fração do transporte aéreo, e quase o mesmo do transporte marítimo”, comentou.

“A China-Europe Railway Express é uma opção ideal para aqueles que desejam transportar seus produtos da Europa para a China, por exemplo. Nesse caso, a rota ferroviária que liga as cidades de Lyon e Wuhan é incomparável no mercado”, acrescentou Stein.

Figuras oficiais da China mostram claramente o progresso da ferrovia expressa que liga a China à Europa desde o seu lançamento em 2011. Como uma artéria do comércio internacional, os trens de carga ligam 59 cidades na China com 50 cidades em 15 países europeus, com um número acumulado de transferências que supera os 14 mil.

Na França, a primeira rota de carga que liga Lyon a Wuhan foi colocada em operação em abril de 2016. Dezoito meses mais tarde, uma rota “feita sob medida” de Wuhan a Dourges (França), foi inaugurada a pedido da Decathlon, grupo de distribuição francês de lojas de varejo e esportes. Brigitte Bernard, gerente de terminal da Venissieux, disse que nunca tinha visto contêineres da China antes de 2016, mas que agora os contêineres chineses chegam a esse terminal toda semana: “Apesar da atual baixa proporção de contêineres chineses em nosso terminal, espero um aumento no futuro e espero receber mais contêineres da China”, afirmou.

Em relação ao futuro desenvolvimento da China-Europe Railway Express, Alain Labat, vice-presidente do Novo Instituto Franco-Chinês, disse que isso depende essencialmente de dois fatores: “Primeiro, a melhoria necessária da capacidade de exportação da França para reequilibrar todo o seu comércio exterior, e segundo, o crescimento das importações chinesas da França”, afirmou.

Wang Lijun, presidente da empresa Wuhan Ásia-Europa Logística (WAE), que opera a rota Wuhan-Lyon, disse que dois trens de carga viajam para Lyon a cada semana, em que as cargas são distribuídas e entregue a Paris, Bordeaux e Dourges.

Atraídas pelo vigoroso comércio sino-francês e pela Iniciativa Cinturão e Rota, cada vez mais grandes companhias francesas, como a Peugeot, a Citroen e a Decathlon, além de pequenas e médias empresas, estão mostrando interesse no serviço, o que reduz o tempo de trânsito e economiza dinheiro. Da mesma forma, as categorias de carga se diversificaram, e hoje vão desde peças de reposição de carros e aeronaves até produtos médicos e vinhos franceses, pelo que disse Wang.

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