O presidente Xi Jinping pediu nesta quarta-feira que a China acelere a busca por autossuficiência em ciência e tecnologia, utilizando a inovação para sustentar a modernização do país. Xi, que também é secretário-geral do PCCh e presidente da Comissão Militar Central, discursou em uma reunião em Beijing que reuniu a cerimônia nacional de premiação científica, as assembleias da Academia Chinesa de Ciências (CAS) e da Academia Chinesa de Engenharia (CAE).
Segundo o líder, o período do 15º Plano Quinquenal (2026-2030) é uma fase crítica para enfrentar os desafios técnicos e atingir a meta de 2035: tornar a China um país líder global em ciência e tecnologia. Na ocasião, Xi entregou o Prêmio Nacional de Ciência e Tecnologia de 2025 a dois pesquisadores: Chen Liquan, do Instituto de Física da CAS, e Ben De, do Grupo de Tecnologia Eletrônica da China (CETC).
Após a entrega das medalhas, o presidente cumprimentou os cientistas e participou da entrega de certificados a outros premiados, em um evento presidido pelo premiê Li Qiang e que contou com a presença de dirigentes como Zhao Leji e Cai Qi.
Xi destacou que a China está migrando do papel de contribuidora global para pioneira em inovação, citando conquistas recentes como a missão Chang’e-6, que trouxe amostras do lado oculto da Lua, o avanço de robôs e drones e o fato de que 95% das sementes usadas no país são de variedades domésticas.
No entanto, o presidente admitiu a existência de gargalos, como a falta de inovação original profunda e o uso ineficiente dos recursos. “Problemas como desperdício e duplicação de investimento ainda persistem. Precisamos garantir que cada centavo seja bem gasto”, afirmou, ressaltando que, embora o gasto anual em P&D tenha crescido 10% ao ano no 14º Plano Quinquenal, a eficiência ainda precisa ser aprimorada.
Para viabilizar o salto tecnológico, Xi defendeu uma coordenação nacional mais forte, com grandes projetos planejados de forma holística em áreas de fronteira, como inteligência artificial, tecnologia quântica e ciências da vida, além de setores prioritários como circuitos integrados e manufatura avançada, e domínios estratégicos como o mar profundo e o espaço profundo.
O presidente também pediu a integração entre inovação científica e industrial para transformar resultados de laboratório em força produtiva real, além de melhorar a proteção de propriedade intelectual e criar um sistema financeiro compatível com o risco tecnológico.
Sobre o desenvolvimento de talentos, Xi defendeu a união entre pesquisa e educação, o apoio a jovens pesquisadores e o estímulo ao interesse científico desde a adolescência. Ele reforçou ainda a necessidade de reformas na avaliação científica, para que projetos e pessoas sejam julgados por qualidade e impacto real, e não por burocracia, além de exigir uma governança ética rigorosa para garantir que a ciência beneficie o povo.
Ao todo, a reunião homenageou 258 projetos e 11 especialistas, distribuídos entre os prêmios de Ciências Naturais, Invenção Tecnológica e Progresso Científico, além de reconhecer nove especialistas estrangeiros com o Prêmio de Cooperação Internacional.

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