Na China, sala de aula ganha “professores” de IA para matemática, educação física e caligrafia

Alunos usam chatbots para corrigir erros e sistemas de visão computacional para analisar corridas

Na cidade de Shenyang, capital da província de Liaoning, no nordeste da China, a rotina escolar está sendo redesenhada pela inteligência artificial. Estudantes do sexto ano, como Mo Ziqing, da Escola Primária Nº 9, recorrem ao aplicativo de IA Doubao​ para resolver problemas complexos de matemática.

“Não dependo completamente da IA. Faço sozinha, mas, se errar, uso o app para checar e corrigir”, explica a estudante. A prática faz parte de uma onda nacional impulsionada pelas autoridades educacionais, que incentivam a integração da IA no ensino e o desenvolvimento da alfabetização digital.

Além do quadro negro: O corpo e a arte

Na Escola Primária Nº 2 de Liaoshen Street, a tecnologia transcende o cognitivo e chega à educação física e artística. No campo de atletismo, sistemas de visão computacional cronometram corridas e analisam a biomecânica dos movimentos. Nas aulas de educação física, monitores de frequência cardíaca ajustam a intensidade dos exercícios e emitem alertas de segurança.

Na sala de caligrafia, os alunos digitalizam seus traços de pincel para receber feedback instantâneo de um sistema de avaliação. “Salas inteligentes, telas interativas e sistemas de educação física conectados tornaram-se parte do cotidiano”, afirma a diretora Yuan Weiqi.

Ensinando a pensar (e os limites da máquina)

Enquanto as escolas adotam as ferramentas, os educadores focam em um uso responsável. Na aula de literatura sobre Romance dos Três Reinos, a professora Cao Wanying pediu que os alunos gerassem imagens da IA sobre o estrategista Zhuge Liang. Para obter resultados convincentes, os estudantes precisaram debater detalhes de vestimentas e contexto histórico, enriquecendo a compreensão do personagem.

Já a professora de inglês, Lu Yuxiao, utiliza a tecnologia para corrigir redações e simular diálogos, mas também faz questão de mostrar as falhas da máquina, como quando um gerador de imagens interpretou o nome “Kitty” como um gato em vez de uma pessoa. “Usei o erro para explicar os limites do entendimento das máquinas”, conta, reforçando que a IA deve ser uma assistente, não uma fonte infalível de respostas.

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