As exportações do Brasil para a China atingiram US$ 58,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, um avanço de 22% sobre o mesmo período do ano anterior e o maior valor já registrado para o intervalo na história, segundo um relatório divulgado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) nesta quarta-feira.
As importações também bateram recorde, somando US$ 38,5 bilhões, um aumento de 8% na mesma base de comparação. O superávit comercial do Brasil com a China foi de US$ 19,8 bilhões, mantendo uma sequência ininterrupta de saldos positivos iniciada em 2009. O valor equivale a 47% de todas as transações do Brasil com o mundo no primeiro semestre.
China amplia distância como principal parceiro
A China foi o destino de 31,6% de tudo o que o Brasil exportou no semestre, quase o triplo da fatia dos Estados Unidos (9,4%). No lado das importações, a China também liderou, com 27% do total, praticamente o dobro da participação americana (13,3%).
Para comparação, o comércio total Brasil-EUA no semestre foi de US$ 36,4 bilhões, 38% menos do que os US$ 96,9 bilhões trocados com a China.
Soja segura a ponta
A soja segue sendo o principal produto brasileiro enviado à China, com US$ 20,2 bilhões no semestre, alta de 7%. O país asiático absorveu 69,5% de toda a soja exportada pelo Brasil. Contudo, foi o petróleo o destaque de crescimento: as vendas para a China saltaram 62%, para US$ 15,1 bilhões, impulsionadas por alta de 41% no volume e de 15,7% no preço.
Carne bovina e frango: corrida pela cota e retomada
As exportações de carne bovina para a China atingiram US$ 4,8 bilhões no semestre, alta de 50%, puxadas pela antecipação de embarques antes do esgotamento da cota de 1,1 milhão de toneladas sujeita à tarifa reduzida. A China absorveu 53% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil.
A expectativa do setor é de redução dos embarques nos próximos meses, já que a cota foi praticamente preenchida em junho e o excedente pagará tarifa adicional de 55%. Já as exportações de carne de frango para a China retomaram o crescimento após dois anos de queda, subindo 43%, para US$ 772 milhões.
O que o Brasil comprou da China: veículos elétricos disparam
Do lado das importações, o destaque foi o salto nos veículos eletrificados (elétricos, híbridos e híbridos plug-in), que somaram US$ 5,3 bilhões no semestre. As compras de carros híbridos plug-in dobraram (US$ 2,79 bilhões) e as de elétricos puros praticamente quadruplicaram (US$ 2 bilhões).
A China respondeu por 88% de todos os veículos eletrificados importados pelo Brasil. O movimento foi impulsionado pela antecipação de embarques antes da elevação das tarifas para 35%, em vigor desde o início de julho.

Sem Comentários ainda!