Estúdios chineses apostam em licenciamento para reduzir dependência da bilheteria

Fórum do Festival Internacional de Cinema de Pequim revelou preocupação crescente do setor com a queda da receita nas salas e a busca por novas fontes de receita

Os principais estúdios de cinema da China estão repensando o modelo de negócios do setor. Em vez de depender quase exclusivamente da bilheteria, as empresas passam a investir no desenvolvimento de propriedades intelectuais (IPs), licenciamento e experiências de consumo. O debate ganhou destaque no fórum da indústria do 16º Festival Internacional de Cinema de Pequim, onde executivos da Enlight Media, China Film Group e Shanghai Film Group apresentaram suas estratégias.

Wang Changtian, presidente da Enlight Media, apontou o desequilíbrio estrutural que o setor enfrenta: os estúdios chineses ainda dependem da bilheteria para mais de 90% de sua receita, justamente a fonte que vem encolhendo desde o pico de 2019. Em contraste, grandes estúdios ocidentais há muito derivam a maior parte de seus ganhos do licenciamento de direitos, merchandise e fontes complementares, com a bilheteria representando uma parcela menor do total.

Na China, a venda de direitos autorais gera pouca receita para os detentores, enquanto o mercado de produtos licenciados ainda não atingiu escala relevante. Diante desse cenário, Wang previu queda na produção de filmes e maior concentração da bilheteria em títulos blockbuster, embora produções menores com ideias genuinamente originais ainda possam encontrar espaço. Para enfrentar a pressão, a Enlight Media construiu uma estrutura operacional centrada em IP, na qual cada equipe de conteúdo atua simultaneamente como criadora e gestora de propriedades intelectuais.

Wang comparou a oportunidade do cinema chinês à ascensão da indústria automotiva do país, mas fez um alerta: “Sem imaginação, criatividade e capacidade de inovação, um bom IP simplesmente não é possível. O conteúdo continua sendo a base de tudo.” Gao Shan, vice-diretor geral da China Film Group, complementou a visão ao distinguir o papel dos filmes de gênero, que constroem confiança do público por meio de fórmulas familiares, da lógica própria das franquias de IP.

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