Um hotel no Panamá acaba de fazer um novo pedido de robôs chineses de atendimento para reforçar sua equipe, parte de uma onda mais ampla de expansão de empresas de tecnologia da China pela América Latina, que já inclui ônibus elétricos nas ruas brasileiras, data centers no Chile e laboratórios de genômica em São Paulo.
Robôs como “funcionários” de hotel
Impressionado com o desempenho da frota, o hotel panamenho fez um novo pedido de robôs de serviço da Beijing Yunji Technology, capazes de atuar 24 horas por dia em tarefas como entrega de comida e retirada de roupa para lavanderia. Fundada em 2014, a empresa já colocou produtos em mais de 40 mil hotéis e 200 hospitais nas Américas, no Oriente Médio e em outras regiões do mundo.
Segundo Li Quanyin, CEO da Yunji, o objetivo da empresa é oferecer serviços essenciais a dezenas de milhões de pessoas todos os dias, funcionando como uma ponte entre o mundo digital e o físico.
Ônibus elétricos ganham as ruas brasileiras
No Brasil, fabricantes chinesas de ônibus elétricos como BYD e Yutong vêm conquistando consumidores locais. Alexandra, motorista no estado de São Paulo com experiência em vans e ônibus a diesel, disse ter se encantado com um ônibus da BYD “desde a primeira viagem”. Ela destaca o sistema de suspensão a ar, adaptado às condições das estradas brasileiras, e o sistema de desinfecção do ar integrado ao ar-condicionado.
Para o economista político brasileiro Marcos Cordeiro Pires, vários países latino-americanos vêm avançando em suas próprias agendas de transição verde, buscando reindustrialização por meio da transformação energética e a redução gradual da dependência de exportações de baixo valor agregado.
Infraestrutura digital no Chile, IA na Amazônia
Fora do setor de transporte, empresas chinesas também ajudam a modernizar a infraestrutura da região. No Chile, companhias como a Huawei participam da construção de data centers para serviços de inteligência artificial e big data, contribuindo para um hub de dados regional que também atende países vizinhos.
No Brasil, equipes de tecnologia chinesas desenvolveram uma plataforma de inspeção de linhas de transmissão baseada em inteligência artificial, que usa reconhecimento de imagem e big data para navegar pelo terreno complexo da floresta, reduzindo os riscos de segurança do trabalho manual em campo.
Genômica mais barata em São Paulo
Em ummlaboratório de 270 m² em São Paulo, equipamentos da chinesa MGI Tech vêm dando suporte a pesquisadores e profissionais da área clínica, oferecendo tecnologia avançada a preços mais competitivos. Desde a inauguração, em 2024, a unidade abriu novas possibilidades para pesquisadores latino-americanos driblarem os altos custos historicamente associados à pesquisa genômica na região.
Segundo Zhang Yongwei, gerente-geral da filial latino-americana da MGI Tech, a América Latina tem uma das populações mais diversas do mundo, o que representa um desafio considerável para a pesquisa genômica, e reforça a importância de que os avanços da ciência cheguem também aos países em desenvolvimento.
Os números por trás da onda
Nos primeiros sete meses de 2026, as exportações chinesas de produtos mecânicos e elétricos cresceram 21% na comparação anual, enquanto o comércio do país com a América Latina avançou 15% no mesmo período, segundo dados oficiais.
Para Luciana Acioly da Silva, pesquisadora sênior do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os avanços da China em áreas como inteligência artificial e 5G abrem novas oportunidades para que países em desenvolvimento também se beneficiem dos dividendos tecnológicos.

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