Daniela Tassy: realizei meu sonho de ser atriz na China

Atriz brasileira participa do blockbuster chinês de ficção científica, Terra à Deriva 2

Por Wei Mingxin e Kang Caiqi

Depois de quatro anos de intervalo, o filme Terra à Deriva 2 estreou durante o Festival da Primavera de 2023, com uma bilheteria acumulada de 4 bilhões de yuans. Muitos rostos de diferentes países deixaram uma profunda impressão ao público nesta obra, incluindo Daniela Tassy, atriz brasileira que no filme beija a foto da filha antes de missão.

A jovem brasileira veio para a China em 2014 para estudar chinês. Originalmente ela planejava voltar em um ano, mas ficou porque gostou da cultura chinesa e, imprevistamente, se tornou atriz. “Na verdade acabou sendo a realização de um sonho, porque desde pequena queria me tornar atriz, e no final das contas, foi vindo para a China que este sonho se tornou realidade”, conta ela. Daniela trabalhou como figurante em Shanghai por dois anos, e gradualmente conseguiu papéis em alguns dramas de TV em Pequim. A fim de desenvolver suas aptidões de atuação, ela frequentemente participava de alguns workshops, até que fez um teste para o papel de apresentadora em Terra à Deriva 2. O diretor reconheceu sua atuação e encorajou-a a interpretar a astronauta brasileira Emília Soares.

Embora o papel de Emília Soares seja bem pequeno no filme, a atriz acha que é uma personagem muito importante. “Ela é a epítome da mulher de hoje em dia. No filme, Emília Soares ajuda a salvar a humanidade e o mais importante é que ela representa todas as mulheres, que são mães, trabalhadoras, guerreiras que batalham cada dia para dar amor para a família, mas também para trazer o sustento para a casa, não só econômico, mas também maternal.”

Diferente do heroísmo individual, para Daniela, a série de Terra à Deriva transmite a mensagem de que os povos de todos os países devem se unir. “Até hoje, não consegui entender a grandiosidade que foi e está sendo eu ter feito parte desse filme, mas estou ciente da responsabilidade que tive e ainda tenho de representar o Brasil nesse filme”, disse ela.

A importância do Brasil no filme comoveu e surpreendeu Daniela, “não só pela participação da personagem Emília, mas como também em outras partes do filme onde a gente consegue ver a bandeira do Brasil, o que espelha um pouco a colaboração do Brasil com a China no campo aeroespacial”. Em 1988, Brasil e China assinaram o Protocolo estabelecendo a pesquisa e produção conjunta dos Satélites de Recursos Terrestres. Em maio de 2022, a sexta reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN) alcançou uma série de consensos sobre cooperação na área aeroespacial, incluindo novos projetos no âmbito do programa CBERS, como o CBERS-5 e o CBERS-6, e o Plano Sino-Brasileiro de Cooperação Espacial 2023-2032. As cooperações na realidade se encaixam no enredo do filme.

Desde o lançamento do primeiro filme desta série, Terra à Deriva foi considerada uma obra marcante dos filmes de ficção científica da China, e seu efeito de apresentação conta com o desenvolvimento científico e tecnológico do país. Na primeira sessão do 14º Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPCh), Fu Ruoqing, presidente de China Film Group Corporation, disse que através de Terra à Deriva, não apenas víamos um avanço significativo na qualidade e no nível de industrialização dos filmes chineses, mas também a coerência entre a estética da indústria no filme e os equipamentos pesados criados pela China nos últimos anos. Antes de assistir ao segundo filme, Daniela voltou para o primeiro, “só de ver esses dois filmes, que têm um intervalo de quatro anos, já se nota a gigantesca diferença só nos efeitos especiais, é um progresso com que eu fiquei muito surpresa”, disse a atriz.

Daniela convidou os brasileiros em Pequim para o cinema durante o ano-novo chinês, e recebeu muitos comentários positivos. Para eles, foi o máximo verem uma amiga na telona e a receptividade dos fãs chineses deixou a atriz muito feliz: “eu nunca imaginei que teria tanto carinho, tanto amor que estou recebendo nas minhas redes sociais chineses; as pessoas vão lá e me mandam mensagens de carinho. Espero também que, com minha participação, as pessoas vejam, não só no Brasil, como também em países que falam a língua portuguesa, como o cinema chinês se agigantou nestes últimos anos, e que venham mais colaborações entre os outros países e a China”.

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