O comércio exterior da China saltou 17% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo 25,47 trilhões de yuans (cerca de 18,75 trilhões de reais), marcando a primeira vez que o indicador supera a marca de 25 trilhões no período, segundo dados oficiais.
Com esse desempenho, o país mantém a posição de maior comerciante de bens do mundo. Do total, as exportações subiram 13,4%, para 14,73 trilhões de yuans, mantendo crescimento pelo 11º trimestre consecutivo, enquanto as importações expandiram 22%, para 10,74 trilhões, 8,7 pontos percentuais acima da taxa de exportação, o que favorece um desenvolvimento comercial mais equilibrado.
No segundo trimestre, o volume total de importações e exportações atingiu 13,61 trilhões de yuans, alta de 18,4% na comparação anual, a maior taxa trimestral desde o terceiro trimestre de 2021. Apenas em junho, o valor comercial subiu 24% na base anual, marcando 17 meses consecutivos de crescimento.
Parceiros da China no 1º semestre: Cinturão e Rota ganha força
Wang Jun, vice-chefe da Administração Geral das Alfândegas (GAC), afirmou em coletiva que o comércio exterior chinês manteve um dinamismo sólido no primeiro semestre, com crescimento forte e operação estável, e progressos notáveis em estabilizar a escala e aprimorar a estrutura.
O comércio com países participantes da Iniciativa do Cinturão e Rota subiu 14,8%, para 13 trilhões de yuans, respondendo por 51% do comércio exterior total. O intercâmbio com países vizinhos saltou 20,6%, enquanto com a América Latina, África e UE registrou crescimento de 16,2%, 19,6% e 10,2%, respectivamente. O comércio com a Europa Central e Oriental também cresceu 11% no primeiro semestre, estendendo 10 anos seguidos de expansão.
Pela frente de atores, as empresas privadas contribuíram com 57% do valor total do comércio, com importações e exportações subindo 17%, para 14,53 trilhões de yuans. Empresas de capital estrangeiro e estatais registraram taxas de 17% e 16,8%, respectivamente. Nas regiões, o leste da China liderou em escala, com mais de 20 trilhões de yuans em importações e exportações (+16,5%), respondendo por 79% do total nacional, enquanto oeste, centro e nordeste postaram altas de 20,3%, 20% e 8,6%.
Tecnologia, Copa e ondas de calor: o que a China exportou
A estrutura de exportação mostrou forte pendor tecnológico: as exportações de produtos eletromecânicos subiram 20%, para 9,36 trilhões de yuans, representando 63,5% do total (+3,5 pontos percentuais na base anual). Exportações de produtos de alta tecnologia saltaram 39%, para 3,26 trilhões de yuans, e exportações de marcas próprias cresceram 25,4%, com sua participação subindo 2,4 pontos percentuais.
Novos vetores ganharam tração: importações e exportações de hardware de computação, como componentes eletrônicos e peças, saltaram 56,6%, para 5,13 trilhões de yuans, enquanto produtos com IA, itens verdes de baixo carbono e equipamentos de ponta tiveram forte expansão.
Houve também pontos de contato com temas globais do momento: Lyu Daliang, diretor do Departamento de Estatística e Análise da GAC, destacou que a China há muito é a maior exportadora mundial de artigos esportivos, respondendo por mais de 40% das exportações globais, e muitos produtos chineses foram vistos na Copa do Mundo de 2026 em andamento.
No primeiro semestre, as exportações de artigos e equipamentos esportivos atingiram 67,53 bilhões de yuans, dos quais bolas somaram 3 bilhões. Já as exportações de eletrodomésticos atingiram 361 bilhões de yuans no período; entre eles, diante de ondas de calor globais frequentes, as exportações de aparelhos de resfriamento como ares-condicionados, ventiladores elétricos e geladeiras totalizaram 108 bilhões de yuans, atendendo a inúmeras famílias no exterior.
Segundo semestre: desafios externos, mas fundamentos sólidos
Wang Jun ressaltou que o desempenho do primeiro semestre incorpora características-chave da atual operação econômica da China: estabilidade, inovação, dinamismo e integração com o resto do mundo. Embora o país enfrente ventos contrários externos para o comércio exterior no segundo semestre, os fundamentos permanecem sólidos, apoiados por forte dinâmica de inovação, agentes de mercado vibrantes e abertura de alto nível.
“Temos confiança e capacidade de sustentar o dinamismo sólido do comércio exterior”, afirmou Wang, acrescentando que as autoridades alfandegárias continuarão a reforçar a supervisão, otimizar serviços e avançar na facilitação do comércio transfronheiriço para manter o dinamismo e contribuir para um bom início do 15º Plano Quinquenal (2026-2030).

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