Funcionário realiza teste de qualidade em amostras aleatórias de soja em uma empresa de comércio de cereais em Suihua, Província de Heilongjiang, no nordeste da China, em 25 de outubro de 2022. (Xinhua/Zhang Tao)

China lança inteligência artificial para acelerar melhoramento da soja

Fengshu 2.0 promete otimizar o desenvolvimento de novas variedades do grão

Pesquisadores chineses da Universidade Agrícola de Anhui apresentaram, em um simpósio nacional sobre pesquisa da soja, a versão 2.0 do “Fengshu”, modelo de inteligência artificial que promete acelerar o melhoramento genético da soja, o processo de cruzar e selecionar plantas para criar variedades mais produtivas, resistentes a pragas ou adaptadas a diferentes climas.

Na prática, o sistema funciona como uma grande biblioteca organizada: reúne em um só lugar informações genéticas da soja, resultados de testes contra doenças, o histórico de experimentos de cruzamento já realizados e artigos científicos publicados sobre o tema, dados que hoje costumam ficar espalhados entre diferentes laboratórios e centros de pesquisa.

A versão original do “Fengshu” foi desenvolvida em fevereiro, em parceria entre a Universidade Agrícola de Anhui e o Instituto de Ciências de Cultivos da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, como uma plataforma que acompanha toda a jornada da soja, do plantio à colheita. A nova versão ganhou uma capacidade extra: comparar as respostas de diferentes sistemas de inteligência artificial antes de chegar a uma conclusão.

Na prática, isso significa que o “Fengshu” 2.0 consulta várias inteligências artificiais ao mesmo tempo sobre uma mesma pergunta, por exemplo, qual cruzamento tem mais chance de gerar uma soja resistente a determinada praga, e depois compara essas respostas para apontar onde elas concordam, onde divergem, e qual conclusão tem mais evidência por trás. A ideia é reduzir o risco de erro de depender de um único sistema.

Hoje, a ferramenta já ajuda pesquisadores a identificar doenças em plantações, escolher quais plantas cruzar para criar uma nova variedade, simular esses cruzamentos antes mesmo de plantá-los, e ligar características visíveis da planta, como altura, cor ou resistência a pragas, aos genes responsáveis por elas.

Segundo Wang Xiaobo, professor da universidade, a diferença em relação ao melhoramento tradicional, baseado em anos de tentativa e erro no campo, é que as decisões agora passam a se apoiar em dados, o que torna o processo mais rápido e mais preciso.

A equipe planeja ampliar os testes de campo, acumular mais dados e cruzar o modelo com informações de clima, solo e padrões de cultivo das principais regiões produtoras de soja da China, parte de um esforço mais amplo do país para aumentar sua própria produtividade agrícola, tema que interessa de perto o agronegócio brasileiro, hoje o maior fornecedor de soja ao mercado chinês.

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