China critica tarifas dos EUA contra o Brasil e se diz pronta para defender multilateralismo

Porta-voz reafirmou que guerras tarifárias não têm vencedores

A China criticou as novas tarifas unilaterais anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Entre as alegações levantadas por Washington está a de que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix, colocaria empresas estadunidenses em desvantagem.

Em coletiva diária em Pequim na sexta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, declarou que guerras tarifárias não têm vencedores e não servem aos interesses de ninguém. “A China está pronta para trabalhar com o Brasil e outros países para defender o regime multilateral de comércio com a OMC (Organização Mundial do Comércio) em seu núcleo e preservar a justiça e a equidade internacionais”, afirmou o diplomata.

Os Estados Unidos confirmaram em 15 de julho, por meio do​ Escritório do Representante de Comércio (USTR), tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho, fruto da investigação Seção 301 que mira o sistema de pagamentos Pix como “campeão nacional” em suposto conflito de interesse do Banco Central, prejudicial a empresas estadunidenses como Visa e Mastercard. A retaliação atinge 4,1 mil itens equivalentes a US$ 25 bilhões em exportações, mas isenta setores-chave da pauta bilateral (carne bovina, café, minério de ferro, peças de aeronaves da Embraer) para evitar dupla taxação com outras tarifas já vigentes.

Questionado sobre como a China poderia apoiar concretamente o Brasil diante do protecionismo americano, Lin Jian reiterou a disposição chinesa de manter comunicação com Brasília e de atuar em conjunto com o Brasil e demais parceiros na defesa das regras multilaterais.

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