Um casal de médicos de Salvador, Amanda Gabas Mercado e Eric Rodrigo Morales Mercado, concluiu um programa de formação médica na cidade chinesa de Xiamen, onde aprenderam técnicas avançadas de diagnóstico e tratamento cardíaco. A dupla se especializou em cirurgia cardíaca minimamente invasiva por endoscopia — uma tecnologia que, segundo os médicos, ainda não se popularizou no sistema de saúde brasileiro.
O programa, batizado “Heart Sapling”, é organizado desde 2022 pelo Hospital Cardiovascular de Xiamen, afiliado à Universidade de Xiamen.
Uma técnica ainda rara no Brasil
Amanda é especialista em cirurgia cardíaca congênita e Eric em cirurgia cardíaca em adultos. Nenhum dos dois havia trabalhado antes com cirurgia minimamente invasiva, e ambos descreveram a formação em Xiamen como uma experiência de aprendizado intensa.
O que mais chamou atenção do casal foi a rotina das equipes médicas chinesas: técnicas de alta precisão integradas à prática clínica diária, com seleção sistemática de pacientes, planejamento pré-operatório detalhado e um fluxo de diagnóstico multidisciplinar já maduro. Eric resumiu a diferença em relação a outros países, onde esse tipo de cirurgia costuma ficar restrito a casos pontuais, enquanto na China já é rotina.
O programa e a cooperação do BRICS
Segundo Wang Yan, presidente do hospital, o programa é voltado a cardiologistas que já têm experiência e conhecimentos básicos em doenças cardiovasculares. Até setembro de 2026, 46 estagiários de 18 países — entre eles Brasil, Rússia, Índia, Egito, Etiópia e Vietnã — passaram pela formação, segundo dados do hospital. Muitos se tornaram, depois, referências em centros cardíacos de seus países de origem.
“A medicina não tem fronteiras”, resumiu Wang Yan, ao defender que tecnologias médicas avançadas sejam compartilhadas globalmente.
De volta ao Brasil, com um plano concreto
Amanda e Eric já têm um roteiro para quando voltarem: aplicar o aprendizado de forma gradual e segura, introduzir a cirurgia cardíaca minimamente invasiva na prática local, formar uma equipe multidisciplinar qualificada e repassar o conhecimento a colegas brasileiros. Segundo Eric, o objetivo final é dar aos pacientes locais acesso a “tratamentos menos invasivos e atendimento cardíaco de maior qualidade”, com recuperação pós-operatória mais rápida.
Para o casal, o maior ganho do intercâmbio não foi só técnico. Amanda destacou que o valor principal esteve na troca de experiências clínicas e diferentes abordagens da medicina entre os dois países.







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