A Feira Internacional de Comércio de Serviços da China (CIFTIS) 2026 foi inaugurada nesta quarta-feira em Pequim, no Parque Shougang — um antigo complexo industrial que também sediou os Jogos Olímpicos de Inverno de Beijing 2022. Até 13 de setembro, o evento reúne participantes de 90 países, regiões e organizações internacionais, com mais de 1.800 empresas expondo.
Segundo dados oficiais, o comércio de serviços da China somou quase 4,45 trilhões de iuanes (US$ 657 bilhões) nos primeiros sete meses de 2026, alta de 8% na comparação anual. A economia digital — do comércio eletrônico transfronteiriço aos pagamentos digitais — puxa esse crescimento, e a tendência já aparece na relação entre China e Brasil.
O comércio eletrônico brasileiro faturou R$ 125 bilhões (US$ 24,6 bilhões) no primeiro semestre de 2026, alta de 24% ante o mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom).
Chinesas apostam em loja física e logística no Brasil
Em agosto de 2025, a Huawei abriu sua primeira loja física em São Paulo, com operação da Navigator Digital Trade Holding, empresa chinesa especializada em internacionalização de marcas. Segundo Zhang Yakun, vice-presidente da Navigator, produtos eletrônicos de marcas chinesas vêm ganhando espaço no mercado brasileiro, num movimento que combina vendas online, lojas físicas e operação local.
A aposta em logística acompanha esse avanço. A Meituan, por meio de sua marca internacional Keeta, começou a operar em São Paulo em dezembro de 2025 e já apresentou, na feira, um robô de entregas autônomo para ambientes internos e externos, voltado à chamada “última milha”. A empresa também lançou um capacete inteligente que reduz para dois minutos o tempo de verificação de acidentes de entregadores, segundo Wang Zixuan, representante da Meituan.
Em maio deste ano, a AliExpress, plataforma do grupo Alibaba, assinou memorando de entendimento com os Correios do Brasil para ampliar a cobertura de entregas em regiões remotas e tornar a operação mais previsível para vendedores.
Bancos e novas regras cambiais
No campo financeiro, o Banco Central do Brasil anunciou em junho que, a partir de 1º de outubro, vai flexibilizar as regras para abertura e movimentação de contas em moeda estrangeira no país — uma sinalização de abertura que beneficia empresas com relações comerciais e de investimento com a China.
O ICBC do Brasil, banco liquidante do renminbi no país, lançou serviços para ajudar empresas a reduzir custos de conversão cambial. Em março, o banco fechou acordo de cooperação estratégica com a JD Industrials do Brasil: o ICBC oferece suporte financeiro — abertura de contas, crédito, câmbio e liquidação — enquanto a JD Industrials conecta compras digitais e logística transfronteiriça, formando um ciclo de serviços com menos risco para as empresas dos dois países.
O que vem a seguir
Plataformas digitais, logística e serviços financeiros atuando em conjunto consolidam a ponte digital entre China e Brasil. Para Pequim, esse tipo de cooperação está alinhado a uma prioridade explícita do 15º Plano Quinquenal (2026–2030): otimizar a gestão da lista negativa do comércio de serviços, flexibilizar restrições transfronteiriças e incentivar exportações de serviços intensivos em conhecimento.







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