Fóssil de besouro antigo explica origem de brilho dos vaga-lumes

Descoberto em âmbar de Mianmar, espécime preservou antenas complexas e órgãos luminosos

Um besouro fossilizado em âmbar com 100 milhões de anos está oferecendo aos cientistas um raro vislumbre da evolução inicial dos shows de luz das vaga-lumes e de suas notáveis antenas. O fóssil, extraído de âmbar de Kachin, em Mianmar, pertence a um gênero recém-identificado batizado de Icaroramus.

Uma equipe internacional liderada pelo Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanquim da Academia Chinesa de Ciências (NIGPAS) publicou a descoberta recentemente na revista Proceedings of the Royal Society B. Embora as vaga-lumes pertençam à ordem Coleoptera (que inclui todos os besouros), este espécime é um parente distante das espécies que iluminam as noites de verão atuais.

O que torna o espécime excepcional é a preservação, em um único indivíduo, de duas características cruciais: antenas altamente complexas e órgãos luminescentes intactos no abdômen. Tecidos moles como esses raramente fossilizam, tornando esta descoberta uma janela valiosa para o passado remoto.

As antenas, compostas por doze segmentos, possuem dois pares distintos de ramificações laterais nos segmentos quatro a onze — um par longo com pontas inchadas e outro mais curto e esguio. Segundo o estudo, essa estrutura duplamente ramificada é única entre todos os besouros, vivos ou extintos. Os pesquisadores sugerem que essas antenas elaboradas provavelmente ajudavam o inseto a detectar sinais químicos no ar, de forma semelhante a como muitos insetos modernos usam feromônios para encontrar parceiros.

Contudo, os órgãos luminosos apresentam um enigma. Na maioria dos vaga-lumes modernos, a luminescência é primariamente um sinal de acasalamento, e essas espécies tendem a ter antenas mais simples. O Icaroramus, por outro lado, combina órgãos luminosos brilhantes com antenas altamente ramificadas, uma combinação raramente vista hoje. A equipe acredita que sua bioluminescência era mais provável usada como um aviso para afastar predadores, embora não descartem totalmente um papel na atração de parceiros.

Os achados indicam que, já no período Cretáceo médio, há cerca de 100 milhões de anos, os parentes primitivos dos vaga-lumes haviam evoluído estruturas sensoriais sofisticadas e bioluminescência funcional. “O fóssil fornece evidências raras de que múltiplas estratégias de comunicação já haviam surgido precocemente na história evolutiva desses insetos, muito antes dos vaga-lumes que conhecemos hoje iluminarem os céus noturnos”, afirmou Cai Chenyang, professor do NIGPAS.

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