A China viveu, na quinta-feira (23), um marco inédito na história da ciência mundial: pela primeira vez desde a criação da Medalha Fields, em 1936, matemáticos de nacionalidade chinesa receberam a honraria. Deng Yu e Wang Hong foram agraciados na cerimônia de abertura do Congresso Internacional de Matemáticos 2026, realizado no Centro de Convenções da Pensilvânia, em Filadélfia, nos Estados Unidos.
A Medalha Fields, conferida a cada quatro anos para entre dois e quatro pesquisadores com menos de 40 anos, é considerada o Nobel da matemática. Nesta edição, os outros dois laureados foram John Pardon, dos Estados Unidos, e Jacob Tsimerman, do Canadá.
Deng Yu, de 37 anos, é professor da Universidade de Chicago e foi laureado por seu trabalho em equações diferenciais parciais. Sua contribuição mais célebre, de 2025, resolveu um ramo central do sexto problema de Hilbert, estabelecendo, pela primeira vez de forma rigorosa, a ponte matemática entre o movimento microscópico das partículas e as equações macroscópicas dos fluidos. Em termos simples, seu trabalho conecta a descrição do universo em escala atômica à descrição em escala humana.
Wang Hong, de 35 anos, tornou-se a terceira mulher a receber a Medalha Fields na história. Professora permanente do Institut des Hautes Études Scientifiques (IHÉS), na França, e da Universidade de Nova York, ela foi premiada por seu trabalho em análise harmônica e teoria da medida geométrica. Sua maior conquista foi a prova da conjectura de Kakeya em três dimensões, um problema que intrigava os matemáticos havia mais de um século.
Ambos iniciaram sua formação na Universidade de Pequim. Deng estudou inicialmente na instituição antes de se transferir para o MIT e obter o doutorado em Princeton. Wang concluiu a graduação, fez mestrado na Universidade Paris-Saclay e doutorado no MIT.

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