A China concede atualmente tarifa zero a 63 países, anunciou nesta quarta-feira a Administração Geral de Alfândegas (GAC). A medida faz parte do esforço de Beijing para expandir ainda mais sua abertura de alto padrão, segundo a diretora do órgão, Sun Meijun, em coletiva de imprensa.
A funcionária informou que a alfândega continuará ampliando mercados diversificados durante o período do 15º Plano Quinquenal (2026-2030). Em maio deste ano, a China começou a implementar o tratamento de tarifa zero ampliado sobre as importações de todos os 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, tornando-se a primeira grande economia a aplicar, de forma unilateral e abrangente, tarifa zero a todos os países africanos com relações diplomáticas e a todos os países menos desenvolvidos.
Para viabilizar a política, a GAC introduziu medidas como gestão alfandegária baseada em risco, procedimentos integrados de acesso ao mercado e a expansão dos “canais verdes” para produtos agrícolas e alimentícios, segundo Sun. No primeiro semestre de 2026, o comércio da China com a África aumentou 19,6% na base anual, refletindo os primeiros frutos da abertura.
A executiva adiantou que, nos próximos anos, a alfândega promoverá a implementação de medidas de abertura e de acordos comerciais de alto padrão, além de aprimorar o alinhamento em procedimentos alfandegários, quarentena e regras de origem.
A política de tarifa zero para a África é um marco: dos 53 países contemplados, 33 já gozavam do benefício desde dezembro de 2024 (países menos desenvolvidos, com 100% dos itens sob tarifa zero). A partir de 1º de maio de 2026, a medida foi estendida a outros 20 países africanos não classificados como menos desenvolvidos, incluindo África do Sul, Egito, Nigéria, Quênia e Marrocos, por um período piloto de dois anos, até abril de 2028, na forma de taxa preferencial.
O impacto prático já é perceptível. Segundo dados da alfândega, apenas nos meses de maio e junho, após a entrada em vigor da medida ampliada, as importações chinesas da África somaram 194 bilhões de yuans, alta de 23,5% na base anual. Produtos como abacate (crescimento de 130%), maçã (89%), laranja (28%) e pescados registraram expansões expressivas. Ao mesmo tempo, as exportações chinesas de maquinário elétrico para o continente africano cresceram 29% no semestre.
Especialistas interpretam a iniciativa como um movimento estratégico de Pequim para consolidar seu papel de “mercado mundial” e oferecer aos países em desenvolvimento uma alternativa ao protecionismo comercial. Trata-se de uma aposta de longo prazo: ao reduzir barreiras para os produtos africanos, a China não apenas fortalece os laços Sul-Sul, mas também diversifica sua própria cadeia de suprimentos e amplia o consumo interno com produtos de maior valor agregado.

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