As relações entre Santa Catarina e a China entraram em um novo ciclo, impulsionadas pelos 25 anos do acordo com a província de Heilongjiang e pela preparação para o Ano da Cultura e do Turismo Brasil-China em 2026. Nesse contexto, o Octa Fashion 2025, desfile de formatura do curso de Moda da Udesc, em Florianópolis, apareceu como um termômetro de como esse diálogo já começa a se materializar na criação autoral de jovens estilistas catarinenses.
Em sua 14ª edição, o evento adotou o tema “Transitoriedade”, inspirado no poema sonoro chinês Flores à beira do rio na noite de lua na primavera, atribuído a Zhang Ruoxu, da dinastia Tang (618–907). A ideia de movimento, impermanência e passagem do tempo guiou as 45 coleções apresentadas, com parte dos formandos buscando referências diretas na cultura chinesa, não apenas na estética, mas em seus significados simbólicos, históricos e filosóficos.
A coleção “A arte de viver”, de Luísa Gerhardt, tomou o ritual do chá (chayi e chadao) como estudo de presença e atenção, traduzido em roupas para mulheres com mais de 50 anos, com modelagens leves e precisas inspiradas na serenidade da cerâmica. Em “CHI”, Isabela Caprario partiu do conceito de qi, energia vital que permeia seres e natureza, usando o dragão como metáfora de travessia e força, em estampas autorais que combinam técnicas brasileiras e simbologia oriental. Já “曌 Zhao”, de Rayssa Scherer, revisita a trajetória de Wu Zetian, única mulher a ocupar o trono imperial chinês, criando volumes arquitetônicos que discutem poder, gênero e disputas narrativas ao longo dos séculos.
Ao aproximar práticas locais de referências orientais, o Octa Fashion 2025 mostra que o intercâmbio entre Santa Catarina e China já ultrapassa protocolos oficiais e se manifesta nas escolhas de tema, pesquisa e linguagem de jovens designers. Essa produção estudantil ajuda a consolidar uma ponte simbólica em expansão, num momento em que Brasil e China ampliam sua agenda conjunta nas áreas de cultura, educação e economia criativa.

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