Memorial de Nanjing reúne novos artefatos que reforçam evidências do massacre de 1937

Carta inédita de soldado japonês e jornais estrangeiros da época se somam às provas de crimes de guerra cometidos durante a ocupação japonesa

O Memorial das Vítimas do Massacre de Nanjing anunciou, na última semana, a incorporação de 573 novos artefatos e materiais históricos em 2025, ampliando o conjunto de evidências documentais sobre as atrocidades cometidas por tropas japonesas durante a Segunda Guerra Mundial. Entre os itens, destaca-se uma carta escrita a lápis em 8 de janeiro de 1938 por um soldado japonês, que descreve de forma casual e perturbadora execuções diárias realizadas às margens do rio Yangtzé.

A equipe do memorial informou que a carta, obtida por meio de um pesquisador japonês, teve sua autenticidade verificada, incluindo identidade do remetente, unidade militar, registros pessoais e de óbito. Especialistas afirmam que o tom indiferente do soldado ao relatar matanças com facas e armas de fogo revela como parte das tropas japonesas tratava o massacre como rotina ou até entretenimento, evidenciando a brutalidade do episódio.

Outras doações relevantes incluem edições originais de jornais estrangeiros de 1937, como o norte-americano The News & Observer e o francês Excelsior, que noticiaram as matanças em massa logo após a queda de Nanjing. Esses registros reforçam depoimentos históricos, como o do cirurgião norte-americano Robert Wilson, que testemunhou sobre o colapso populacional de Nanjing, de cerca de 1 milhão de habitantes antes da invasão para menos de 500 mil após a ocupação, contrariando versões negacionistas de setores direitistas japoneses.

O acervo recém-incorporado inclui ainda fotografias da cidade ocupada, arquivos sobre um médico militar morto na defesa de Nanjing e outra carta de soldado japonês. O Massacre de Nanjing ocorreu após a captura da então capital chinesa em 13 de dezembro de 1937, quando aproximadamente 300 mil civis e soldados desarmados foram assassinados ao longo de seis semanas, um dos episódios mais brutais da Segunda Guerra Mundial.

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