Estudo de chinês impulsiona empregos, bolsas e novas oportunidades em Mianmar

Centros educacionais em Rangum vivem boom de matrículas com a crescente demanda por profissionais bilíngues

O aprendizado de chinês deixou de ser apenas uma disciplina complementar para milhares de jovens e adultos em Rangum, capital comercial de Mianmar. No Centro de Compartilhamento Educacional Golden (GESC), no município de Hlaingthaya, salas lotadas refletem um movimento crescente: cada vez mais estudantes veem o mandarim como caminho para empregos melhores, bolsas de estudo e ascensão social. Professores relatam que muitos alunos começam do zero e, em poucos meses, já conseguem se comunicar, impulsionados pela forte presença econômica chinesa no país.

A expansão é rápida. O GESC, fundado em 2006, já formou mais de 100 mil alunos e hoje reúne cerca de 10 mil estudantes, mais que o triplo de 2023. A instituição opera em seis municípios, conta com 90 professores e mantém parcerias com mais de 500 fábricas. Segundo a diretora Zhang Qiuyuan, empresas e hotéis buscam continuamente profissionais que falem chinês, com relatos de trabalhadores que chegam a triplicar seus salários após aprender o idioma. O centro também utiliza ferramentas de inteligência artificial para apoiar tarefas e prática diária.

A procura cresce entre diferentes perfis. Jovens como Thawdar Tun, de 26 anos, veem no mandarim a chance de obter bolsas e construir uma carreira docente, enquanto alunos como Zaw Hlaing Moe querem usar o idioma para atuar nos negócios da família. Já adolescentes como Htet Wai Yan Lin e Naw Eh Thaw Say enxergam o estudo do chinês como ponte para oportunidades no exterior. Nas aulas, professores recorrem a músicas, histórias e atividades para contornar desafios como a escrita dos caracteres e a entonação dos tons.

Enquanto o GESC foca adultos, escolas como a Bowen formam crianças e adolescentes para futuros estudos internacionais. Com unidades em Rangum e Nay Pyi Taw, a instituição já reúne 1.400 alunos e mais de 100 professores. Pais procuram o mandarim como forma de ampliar horizontes acadêmicos, enquanto crianças, como Eaint Pann Thakin, de 10 anos, sonham com bolsas na China. Para muitos estudantes, presenciais ou on-line, o idioma simboliza uma nova janela para o mundo, em um país onde a demanda por profissionais bilíngues cresce ao ritmo da integração econômica regional.

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