Cientistas chineses estudam gelo da Antártida e seus impactos no clima global

Fenômeno natural observado em regiões congeladas influencia correntes oceânicas, vida marinha e a capacidade do planeta de absorver carbono

Em meio ao gelo à deriva e à neblina do Mar de Amundsen, na Antártida, cientistas a bordo do navio quebra-gelo chinês Xuelong (Dragão de Neve) identificaram grandes áreas de água aberta cercadas por gelo marinho, um fenômeno natural raro que desempenha um papel essencial no equilíbrio climático da Terra e na manutenção da vida oceânica.

Durante a 42ª expedição antártica da China, a equipe recuperou um sistema de sensores submersos que passou um ano inteiro no fundo do oceano coletando dados sobre temperatura, salinidade, correntes marinhas e partículas biológicas. Esses equipamentos permitem observar processos profundos do oceano que não podem ser monitorados por boias de superfície, frequentemente danificadas por icebergs.

Segundo pesquisadores do Instituto de Pesquisa Polar da China, essas áreas de água aberta funcionam como verdadeiros motores naturais do sistema climático. No inverno, a exposição direta ao vento e ao frio extremo faz com que a água perca calor rapidamente, torne-se mais densa e afunde até o fundo do mar. Esse movimento dá origem a correntes oceânicas profundas que ajudam a regular o clima global, distribuindo calor e nutrientes pelo planeta.

Com a chegada da primavera, o cenário muda completamente. A água livre de gelo, rica em nutrientes vindos das profundezas, favorece a proliferação de algas microscópicas. Esse crescimento sustenta o krill antártico, base da cadeia alimentar que alimenta peixes, pinguins e baleias, formando um dos ecossistemas mais ricos do mundo.

Além disso, quando essas algas morrem e afundam, elas transportam carbono para o fundo do oceano, ajudando a retirar dióxido de carbono da atmosfera. Por esse motivo, os cientistas descrevem essas áreas como um importante mecanismo natural de absorção de carbono, com impacto direto no enfrentamento das mudanças climáticas.

Desde 2003, pesquisadores chineses monitoram esse processo de forma contínua. Os dados coletados ao longo dos anos ajudam a entender como o aquecimento global pode afetar tanto a formação dessas áreas de água aberta quanto a circulação oceânica e o equilíbrio climático do planeta.

“Cada dado obtido amplia nosso conhecimento sobre o funcionamento da Terra e melhora nossa capacidade de prever mudanças futuras no clima”, afirmaram os cientistas envolvidos na expedição.

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