China ultrapassa Rússia e se torna maior fornecedora de fertilizantes do Brasil

Importações cresceram 51% no ano e consolidam papel estratégico da China no agronegócio brasileiro

A China tornou-se, pela primeira vez, a maior fornecedora de fertilizantes do Brasil, superando a Rússia em volume importado entre janeiro e outubro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No período, o Brasil importou 9,77 milhões de toneladas de fertilizantes chineses, ligeiramente acima das 9,72 milhões de toneladas de origem russa.

Embora os números estejam próximos, o ritmo de crescimento destaca a guinada chinesa no mercado brasileiro: as compras do país asiático aumentaram 51% em relação ao ano passado, enquanto as importações da Rússia avançaram 5,6%. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta o sulfato de amônio chinês como principal motor desse avanço, enquanto os russos seguem liderando no cloreto de potássio. Juntos, os dois fornecedores respondem por cerca de 50% dos fertilizantes importados pelo Brasil.

O mercado interno segue aquecido: até outubro, o Brasil importou 38 milhões de toneladas de fertilizantes, alta de 4,6% frente a 2014, com gastos de US$ 13,2 bilhões. A demanda doméstica também se mantém forte, com 30,5 milhões de toneladas entregues aos produtores até agosto, um aumento de 9%, segundo a ANDA. A expectativa é de novo recorde em 2025 e expansão ainda maior em 2026.

O movimento reforça uma tendência mais ampla: o crescimento dos fluxos de insumos agrícolas vindos da China, que já forneceu 70% dos agrotóxicos importados pelo Brasil neste ano. Ao mesmo tempo em que continua sendo o principal destino do agronegócio brasileiro, a China amplia sua presença como fornecedora estratégica, intensificando a interdependência entre as duas maiores potências do comércio agrícola global.

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