China avança em “sementes de precisão” para elevar produtividade e reduzir uso de fertilizantes

Programa liderado pela Academia Chinesa de Ciências desenvolve novas variedades mais produtivas, resistentes a doenças e ambientalmente sustentáveis

Cientistas chineses anunciaram uma série de avanços no desenvolvimento de sementes “projetadas com precisão”, capazes de aumentar a produtividade agrícola ao mesmo tempo em que reduzem o uso de fertilizantes e pesticidas. Os resultados foram apresentados nesta segunda-feira pela Academia Chinesa de Ciências (CAS), durante a divulgação dos progressos de seu programa estratégico “Projeto e Melhoramento de Sementes de Precisão”, lançado em 2019 para enfrentar desafios como doenças recorrentes, uso excessivo de insumos químicos e escassez de terras aráveis.

Segundo Li Jiayang, acadêmico da CAS e cientista-chefe do programa, ao longo de seis anos foram desenvolvidas 37 variedades-piloto de culturas agrícolas e animais, já cultivadas em cerca de 14,48 milhões de mu (aproximadamente 965 mil hectares). As pesquisas identificaram genes-chave associados a maior rendimento, uso mais eficiente de nutrientes e resistência a pragas, seca e doenças, permitindo a criação de novas variedades por meio de tecnologias avançadas como a edição genômica.

Entre os destaques está a descoberta do gene OsTCP19, que possibilita ao arroz manter produtividade estável mesmo com uma redução de 20% a 30% no uso de fertilizantes nitrogenados. No trigo, cientistas identificaram genes com resistência ampla ao oídio e desenvolveram a variedade “Zhongke 166”, resistente à giberela, já plantada em cerca de 1,5 milhão de mu, contribuindo para a diminuição do uso de agrotóxicos.

O programa também alcançou marcos regulatórios e tecnológicos, como a concessão, em 2024, do primeiro certificado de biossegurança da China para uma cultura alimentar editada por genes. Além disso, pesquisadores conseguiram “reprogramar” uma espécie de arroz silvestre, acelerando sua domesticação, e avançaram no melhoramento de soja e peixes de cultivo, com ganhos expressivos de rendimento e eficiência alimentar. Segundo Li, essas conquistas sinalizam uma mudança estrutural no melhoramento agrícola chinês, que passa de métodos tradicionais para um modelo molecular mais preciso, rápido e sustentável, reforçando a segurança alimentar do país e oferecendo soluções para desafios globais.

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