Uma startup chinesa sediada em Shanghai anunciou um avanço inédito no campo da fusão nuclear. A Energy Singularity informou que seu reator experimental HH70 conseguiu sustentar uma corrente de plasma estável por 1.337 segundos, estabelecendo um recorde mundial entre dispositivos de fusão construídos por empresas privadas.
A fusão nuclear, frequentemente chamada de “sol artificial”, reproduz na Terra o mesmo tipo de reação que ocorre no interior do Sol, liberando enormes quantidades de energia sem emissões de carbono e com resíduos mínimos. Por isso, é considerada uma das soluções mais promissoras para os desafios energéticos e climáticos globais.
Fundada em 2021, a Energy Singularity tornou-se a primeira empresa privada da China dedicada à energia de fusão. Em junho de 2024, colocou em operação o HH70, o primeiro reator do mundo desse tipo a utilizar supercondutores de alta temperatura. Desde então, o equipamento já realizou 5.755 experimentos, culminando agora na manutenção de plasma por mais de mil segundos.
Segundo a empresa, o resultado foi possível graças ao aprimoramento contínuo de um sistema de controle baseado em inteligência artificial, capaz de estabilizar o plasma por longos períodos. Para Dong Ge, cofundador da startup, o avanço vai além da marca temporal. “Esse resultado demonstra que a integração entre supercondutores de alta temperatura e controle inteligente já é viável do ponto de vista da engenharia, abrindo caminho para usinas de fusão mais baratas e eficientes”, afirmou.
O reator HH70 possui mais de 96% de componentes desenvolvidos localmente, com direitos de propriedade intelectual próprios. Com base nessa plataforma experimental, a empresa já acelera o desenvolvimento de um novo modelo, o HH170, cujo objetivo é alcançar o chamado ganho líquido de energia, quando a fusão produz mais energia do que consome.
O avanço ocorre em um momento em que Shanghai aposta em diferentes rotas tecnológicas, como reatores magnéticos e fusão a laser, para se consolidar como um polo global de inovação em energia de fusão, setor visto como estratégico para o futuro energético da China e do mundo.

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