À medida que a inteligência artificial (IA) deixa os laboratórios e passa a ser aplicada em fábricas, hospitais e cadeias logísticas, autoridades chinesas passaram a apostar na construção de uma “economia inteligente” como nova etapa do desenvolvimento do país. O conceito apareceu pela primeira vez no relatório de trabalho do governo apresentado durante as “duas sessões”, reuniões anuais da Assembleia Popular Nacional e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.
Analistas avaliam que a mensagem é clara: a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta para aumentar eficiência e passou a ser vista como um motor de transformação econômica. A mudança reflete uma evolução da política tecnológica do país. Em 2024, o governo introduziu a iniciativa “AI Plus”, voltada para ampliar o uso da inteligência artificial em diferentes setores. Agora, a estratégia avança ao posicionar a tecnologia como base de um novo modelo econômico.
De acordo com Zhou Li’an, professor da Escola de Administração Guanghua da Universidade de Pequim, o conceito de economia inteligente indica uma mudança profunda na forma como a IA é vista pelas autoridades. Segundo ele, a tecnologia tende a se tornar um elemento estrutural da economia, influenciando a alocação de recursos, a organização das indústrias e a oferta de serviços.
O relatório governamental prevê acelerar a aplicação de terminais inteligentes e agentes de IA, ampliar o uso comercial da tecnologia em setores-chave e desenvolver novos modelos de negócios nativos de inteligência artificial.
Também estão previstas medidas como o fortalecimento de ecossistemas de código aberto, a expansão de serviços de nuvem pública, a construção de grandes centros de computação inteligente e o avanço de infraestruturas como internet via satélite e redes industriais baseadas em 5G. Outro objetivo central é integrar a IA à economia real, com aplicações que vão da manufatura e agricultura aos serviços públicos e mercados de consumo.
Especialistas apontam que a vantagem da China está na combinação entre um sistema industrial amplo, grande volume de dados e diversos cenários de aplicação da tecnologia.
Na indústria, empresas já utilizam modelos de IA para transformar processos produtivos. O grupo siderúrgico CITIC Pacific Special Steel, por exemplo, desenvolveu mais de 100 modelos de inteligência artificial voltados para manufatura inteligente.
A expansão da economia inteligente também depende de infraestrutura robusta. O relatório destaca a necessidade de ampliar centros de computação em larga escala e melhorar a coordenação entre energia e capacidade computacional.
Ao mesmo tempo, autoridades chinesas enfatizam a importância de fortalecer a governança da inteligência artificial, incluindo regras sobre segurança de dados, privacidade e supervisão de algoritmos.
Segundo o ministro da Indústria e Tecnologia da Informação, Li Lecheng, o setor central de IA da China já ultrapassou 1,2 trilhão de yuans em valor e reúne mais de 6,2 mil empresas.
Para ele, o desenvolvimento da inteligência artificial deve sempre servir às pessoas e permanecer sob controle humano, além de funcionar como um bem público global.

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